Especialistas acreditam que mercado de leite brasileiro deve se recuperar este ano

Os números de 2016 só serão divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 17 de março, mas a expectativa é que a produção de leite no Brasil sofra a maior queda em 55 anos, desde que os índices passaram a ser registrados

Ordenha

“Embora a captação formal de leite no terceiro trimestre do ano passado tenha apresentado uma recuperação de 12,1% em relação ao trimestre anterior, o volume total captado teve uma quebra de 4,9% quando comparado ao mesmo período de 2015”, informa o pesquisador da Embrapa Gado de Leite João César Resende.
Os dados iniciais sugerem que a recuperação tenha se mantido no último trimestre, mas o País deve fechar 2016 com uma produção pouco acima dos 23 bilhões de litros, uma retração acima de 3% em relação a 2015 e há entre os analistas quem aposte em um índice de 4%. Os dois últimos anos não foram bons para o setor. Desde 2014, quando o Brasil registrou o maior volume de produção de leite sob inspeção (24,7 bilhões de litros), os índices vêm retrocedendo. Em 2015, a queda foi de 2,8% (figura 1).

Figura 1: Produção de leite sob inspeção no Brasil (bilhões de litros):

Fonte: IBGE, adaptado pela Embrapa (2016: Estimativa Embrapa Gado de Leite).

Fonte: IBGE, adaptado pela Embrapa (2016: Estimativa Embrapa Gado de Leite).

Ano de extremos

Um dos fatores que favoreceu o menor volume produzido foi o preço internacional do leite. Nos leilões da plataforma Global Dairy Trade (GDT), a tonelada do leite em pó chegou a ser vendida em julho por US$ 2,062.00, preço muito abaixo da média, segundo analistas. Isso favoreceu a importação de leite da Argentina e do Uruguai. “Importamos o equivalente a 8% da nossa captação de leite no ano que passou”, explica o também pesquisador da Embrapa Gado de Leite Glauco Rodrigues Carvalho. Em dezembro, o leilão da GDT já estava pagando pela tonelada do leite em pó US$ 3, 568.00. A expectativa de Carvalho é que essa seja a média dos preços internacionais ao longo de 2017, reduzindo a competitividade das importações, possibilitando uma recuperação da produção doméstica.

Outro fator que prejudicou o setor foi a quebra de safra do milho. Enquanto a safra do grão em 2014/2015 foi de 84,3 milhões de toneladas, no período de 2015/2016 houve uma queda de 21% (66,5 milhões de toneladas). Isso encareceu a alimentação concentrada do rebanho, aumentando os custos para o produtor. “Vivemos fatos extremos em 2016, o que demonstrou a desorganização e a fragilidade da cadeia produtiva do leite no Brasil”, argumenta Carvalho. O reflexo dessa fragilidade se deu, principalmente, nos preços pagos ao produtor. O ano começou com preços muito baixos, com o pecuarista recebendo R$ 1,06/litro. A média do primeiro semestre ficou abaixo de R$ 1,20.

A consequência foi a queda da atividade industrial, com as indústrias chegando a conviver com uma capacidade ociosa em torno de 40%. Para ampliar a captação do produto, a reação foi aumentar os preços, cuja média no segundo semestre foi de R$ 1,49/litro. Carvalho informa que o pico ocorreu em agosto (R$ 1,69), mas teve leite sendo comprado de alguns produtores por mais R$ 2,00/litro. “Com uma amplitude tão grande de preços, fica difícil para qualquer setor se planejar”, afirma o pesquisador.

Apesar de um ano de tão grandes variações, desde 2010, o valor pago ao produtor tem mantido uma certa regularidade, como mostra a Figura 2. A produção total do Brasil (leite inspecionado mais leite informal) apresenta uma curva ascendente enquanto os preços caem, o que, segundo Resende, demonstra o potencial da atividade: “A longo prazo, a queda dos preços pagos ao produtor reflete a diminuição dos custos de produção que ocorreu no período. Temos um setor produtivo mais eficiente, que se modernizou tecnologicamente. E os preços para o consumidor também acompanham a tendência de queda. Se não houvesse essa modernização, estaríamos pagando hoje mais de R$ 4,00 pelo litro de leite”.

Figura 2: Evolução da produção e dos preços pagos aos produtores no Brasil (1975/2016):

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Fonte: IBGE e IEA (Organização: Embrapa Gado de Leite).

Tendências favoráveis para o mercado interno

Carvalho afirma que, para este ano, espera-se um volume de produção superior aos registrados em 2015 e 2016, mas sem excesso de oferta. “Será um ano de recuperação de safra, já que a relação preço do leite e insumo, na média, tende a ser melhor”. O milho, vilão do aumento dos custos de concentrado em 2016, tende a ter preços mais amigáveis. A expectativa é que a safra 2016/2017 do grão gire em torno de 84 milhões de toneladas. A previsão somente para a safra de inverno é de 56 milhões de toneladas. O pesquisador espera que a safra de grãos no Brasil, capitaneada pela soja, seja recorde este ano.

Como já foi dito, os preços internacionais do leite tendem a subir, dificultando as importações, o que favorece o cenário interno. A tendência de aumento dos preços internacionais se ancora principalmente na desaceleração da produção na Europa e na queda recente da oferta na Oceania e na América Latina. A manutenção da cotação do dólar em patamares mais elevados também é um estímulo à produção interna, aumentando a competitividade relativa da exportação em relação à importação.

“Do ponto de vista do consumo interno, a tendência também é de melhora gradual”, aponta Carvalho. “A despeito do frágil cenário político e econômico nacional, os indicadores têm melhorado e as perspectivas são de que inflação, taxa de juros e PIB caminhem no sentido de estimular o consumo, promovendo uma retomada do crescimento econômico, ainda que modesto”, conclui.

O pesquisador destaca que, independentemente das oscilações conjunturais, existem transformações importantes acontecendo na cadeia produtiva do leite no Brasil. Entre elas, cita:

– Melhoria na gestão das propriedades;

– Maior especialização do rebanho brasileiro (dados de 2015 do IBGE mostram uma queda de 5,5% do número de vacas leiteiras, o que significa que os animais de pior genética estão sendo descartados);

– Maior velocidade na adoção de tecnologias, que geram ganhos de produtividade (algumas microrregiões brasileiras apresentam produtividade comparável a países de primeiro mundo);

– Menor custo de produção de milho e soja do mundo.

“Esses elementos, somados ao clima propício, à disponibilidade de terras, à relativa abundância de água e ao potencial de consumo de uma população continental tornam a pecuária de leite brasileira uma das atividades agrícolas de maior potencial”, afirma Carvalho. Mas ele lembra que produzir leite exige gestão, dedicação e tecnologia, como em todas as atividades econômicas. “Os que conseguem unir essas características são os empreendedores que irão continuar tendo sucesso na atividade, garantindo uma boa remuneração e uma produção cada vez mais sustentável economicamente”, finaliza.

Fonte: Embrapa Gado de Leite

Lucro no fim do ano é mais importante que margem por litro

No mercado leiteiro, muitas vezes, os produtores se preocupam mais com a margem por litro do que com o lucro no final do ano. Para o zootecnista Christiano Nascif, este tipo de pensamento, muitas vezes rotineiro, é errado e pode prejudicar os produtores.

“É melhor se ter uma margem menor por litro sobre um volume de leite maior, do que uma margem por litro maior sobre um volume de leite inexpressivo”, explicou o zootecnista durante o encontro Dia de Mercado de Leite, em Sergipe, realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Sergipe (FAESE). As informações são do jornal A Tribuna Mato Grosso.

Durante o evento, Nascif explicou a importância do gerenciamento de propriedades de leite para o produtor.

“Aumentar a produção e a produtividade do rebanho é relativamente fácil, difícil é fazer o produtor de leite ganhar dinheiro de forma sustentável. Portanto a gestão correta dos recursos produtivos faz com que o empresário rural seja eficiente na exploração dos fatores que mais pesam na composição dos custos de produção, que são a mão de obra, concentrados e volumosos”.

Na visão do zootecnista, uma das metas que se deve ter para atingir uma produção eficiente é “produzir mais e melhor com menos”. Para o profissional, o lucro do produtor dependerá do gerenciamento eficiente.

“Gerenciamento econômico financeiro é fundamental em qualquer atividade. Devemos entender que os indicadores técnicos são os meios, o fim é o produtor colocar mais dinheiro no bolso. Para isto a gestão econômico-financeira deve considerar as receitas e os custos, não somente um ou outro. Não se deve buscar o aumento da receita a qualquer custo e nem a redução de custos de qualquer maneira. Há produtores que acham que gerenciar custos é gastar quase nada, grande engano. Sempre devemos lembrar que custo mínimo não se equivale a lucro máximo. A gestão eficiente de qualquer negócio deverá ter como meta o lucro máximo e não o custo mínimo”.

Fonte: Associação Brasileira de Zootecnistas

6 fatos para lidar com a mastite e evitar prejuízos na produção de leite

Para evitar que o rebanho seja afetado pela doença é necessário investir em boas práticas na ordenha e higiene

Por Naiara Araújo

A mastite é uma doença muito grave que atinge o rebanho leiteiro e se caracteriza pela inflamação das glândulas mamárias das vacas. Atualmente, a doença é a principal causa de prejuízos na produção de leite. Para evitar que o rebanho seja afetado pela doença é necessário investir, principalmente, em boas práticas na ordenha e higiene do local onde os animais ficam alojados.

Segundo a médica veterinária Roberta Züge, que é conselheira no Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS), o produtor deve buscar um ambiente sem riscos de contaminação e não deixar a área com lama ou esterco. “Com a mastite a composição do leite fica diferente, o animal produz menos e o produtor recebe menos. Se o produtor fizer corretamente o manejo ele evita perdas com a mastite”, diz Roberta.

 

1 – Mastite clínica e subclínica

A mastite é dividida em duas categorias, a clínica e a subclínica. Esse é um dos grandes problemas da doença, porque enquanto a mastite clínica é evidente, a mastite subclínica age silenciosamente, o que faz com que os produtores demorem mais para identificar a doença.

 

2 – Como identificar?

As vacas com mastite clínica apresentam alterações nas mamas, como inchaço ou vermelhidão. O leite pode sair com pequenos coágulos ou pus. Segundo Roberta, a gravidade da infecção pode variar dependendo do micro-organismo responsável pela contaminação. O comportamento do animal também muda e eles podem apresentar falta de apetite, febre e redução da produção.

Já nos casos de mastite subclínica as alterações não são visuais. Mas, por meio de testes é possível identificar a doença. A Contagem de Células Somáticas (CCS) é um dos métodos mais utilizados para realizar o diagnóstico, já que o aumento de células somáticas é um sinal de mastite. As células somáticas são as células de defesa do animal. Quando a vaca fica doente, com a inflamação, o número de células somáticas aumenta para destruir as bactérias. Por isso, o aumento dessas células somáticas no leite indica que há infecção no úbere da vaca. “A mastite subclínica não apresenta sintomas como a mastite clínica, a não ser que haja uma redução na produção de leite, que muitas vezes passa despercebida”, diz Roberta.

 

3 – Como a mastite prejudica o rebanho?

Mastite

Simulação de incidência de mastite em rebanho leiteiro

Somente com o diagnóstico correto o produtor poderá saber se o seu rebanho está sadio. O diagnóstico por meio do Califórnia Mastite Teste (CMT) é muito utilizado para identificar vacas com mastite subclínica por meio da quantidade de células somáticas. Segundo informações da Embrapa, é necessário usar uma raquete contendo quatro cavidades e o reagente do CMT. Roberta explica que, quando há um animal com mastite clínica, provavelmente muitas outras vacas do rebanho apresentam a mastite subclínica. “Se não houver o teste de CMT não diagnosticamos os animais corretamente”, afirma Roberta.

 

 

4 – Perdas na qualidade do leite

Além de ser prejudicial para a saúde das vacas leiteiras, a mastite interfere diretamente na qualidade do leite. Segundo Roberta, o teor de gordura pode cair de 3,7% para 3,1% na composição de um leite normal por um produzido por uma vaca com a doença. No caso da lactose, a queda seria de 4,9% para 4,2%. As taxas de proteína, sódio, cloreto e cálcio também são afetadas pela inflamação mamária.

 

5 – Prejuízo financeiro

A mastite clínica resulta em grandes perdas por descarte de leite, gastos com medicamentos e, em alguns casos, pode levar a morte do animal. Porém, segundo especialistas do setor, os maiores prejuízos são causados pela mastite subclínica, que age discretamente e não chama a atenção do produtor ou funcionários.

 

Segundo Roberta, uma vaca infectada produz menos leite, o volume produzido terá qualidade inferior e o preço pago pelo produto recua. Em uma simulação na qual a CCS sobe de 200 mil para 750 mil células por mililitro de leite, o prejuízo mensal pode ultrapassar R$ 5 mil e o anual R$ 61 mil.

 

6 – Tratamento da mastite

Quando uma vaca é diagnosticada com mastite, às vezes é necessário realizar a secagem desse animal. Segundo Roberta, o procedimento tem como objetivo recuperar a sanidade da glândula mamária para a próxima lactação. Para realizar o processo indicado pela profissional será necessário o uso de avental impermeável, botas de borracha e antibiótico intramamário. “O produtor deve realizar o tratamento correto, preconizado pelo médico veterinário, que deve identificar o agente causador da doença e utilizar o medicamento adequado”, afirma Roberta.

 

O primeiro passo é ordenhar a vaca manual e alternadamente. Após dois dias, voltar a ordenhar a vaca uma única vez no dia. De acordo com orientações da médica veterinária, é necessário esperar mais dois dias para voltar a realizar o procedimento. Caso seja o início do período seco e não seja mais necessário realizar uma nova ordenha, deve-se aplicar o antibiótico em todos os quartos mamários das vacas com a doença. “O tratamento da vaca seca é muito importante para a redução da mastite subclínica do rebanho e para reduzir novas infecções que venham a ocorrer nas primeiras semanas e no restante do período seco”, diz a Embrapa

 

Fonte: SFAgro

 

Boa gestão pode manter produtor rural competitivo no agronegócio moderno

Pequeno produtor precisa fazer um controle minucioso de custos, a fim de assegurar o resultado de sua atividade

Receitas x Despesas

Receitas x Despesas

SÃO PAULO – “Os hectares mais importantes da propriedade rural são, na verdade, os quatro, cinco metros quadrados do escritório da fazenda.” A frase, proferida pelo ex-ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, em recente evento na Esalq-USP, dá a exata dimensão da importância de uma boa gestão do ponto de vista financeiro, de negócios, de mercado para o produtor rural que almeja se manter competitivo no agronegócio moderno.

E a orientação para uma administração na “ponta do lápis” se torna ainda mais relevante para o pequeno produtor, que exatamente por não trabalhar sob a ótica de um negócio de escala – no qual a rentabilidade está ancorada na comercialização de grandes volumes – precisa fazer um controle minucioso de custos, a fim de assegurar o resultado de sua atividade.

De acordo com Fábio Emmanuel Braz Brass, consultor de agronegócios do Sebrae, o empresário rural que trabalha com produtos que podem ser armazenados, como, por exemplo, grãos, tem mais autonomia para realizar a operação de venda no momento que for mais vantajoso financeira ou estrategicamente. “Já não é o caso, por exemplo, do pecuarista que trabalha com leite, um produto bem mais perecível, que exige venda rápida. Este produtor precisa focar ainda mais no controle de custos”, ressalta Brass.

Outra recomendação do consultor do Sebrae é que o produtor também monitore de perto o rendimento de sua produção, fazendo diagnósticos rotineiros do retorno de investimento ao comparar recursos aplicados e resultado obtido. “É preciso medir sempre”, acentua.

Diferenciação

Segundo Brass, o pequeno produtor tem que investir cada vez mais em diferenciação de processos, produtos ou formas de comercialização, para se manter competitivo. “Ele tem que agregar valor em todas as frentes.”

De acordo com o especialista do Sebrae, mesmo o pequeno produtor que atua com commodities pode “despadronizar” seu negócio ao inovar nas operações de compra e venda por meio de grupos de aquisição de insumos e de comercialização da produção. “O cooperativismo é um caminho para isso.”

Brass destaca, ainda, que neste desafio da “descomoditização”, o pequeno produtor tem como alternativas investir em nichos de mercado, como, por exemplo, orgânicos, bem como certificações de respeito socioambiental, comércio justo e selos de identificação geográfica. “Desta forma, ele já está qualificando o seu negócio com ações que vão além da porteira, trabalhando conceitos de marketing e marcas, com foco no consumidor.”

Fonte: Infomoney

Start Digital – ZH – Control Milk

Foi a partir de um gargalo real que uma empresa de Teutônia – RS criou uma solução digital para melhorar a qualidade da gestão em propriedades de gado leiteiro.

Com a entrada no mercado em 2012, o software Control Milk, ganhou corpo a partir do ano passado, quando os sócios participaram do programa Startup RS, desenvolvido pelo Sebrae-RS. Em 2015, duas turmas somando 40 empresas, participaram da iniciativa. Agora, outras 15 buscam a formação. Uma nova edição do curso está prevista para o segundo semestre.

O objetivo, como explica João Antonio Pinheiro Neto, gestor de projetos e do Startup RS, é “desenvolver um modelo de negócios para receber investimentos”. Por meio de oficinas e workshops, são exploradas todas as habilidades que a startup precisa ter.

–  A tecnologia pode deixar o agronegócio ainda mais produtivo – afirma o gestor.

A Control Milk desenvolveu um software para gestão zootécnica e financeira das propriedades, que é instalado no computador e permite o trabalho offline – vale lembrar que telefonia e internet móvel ainda são precários no meio rural. Mas também tem aplicativo para deixar as informações ao alcance da mão. É possível compartilhar também com técnicos e empresas.

– O objetivo era trabalhar com os produtores. A ideia de envolver empresas veio com a formação no Sebrae – afirma Dionatan Hamester, sócio da Control Milk ao lado de Vilson Mayer.

 

Fonte: Zero Hora – Campo Aberto – Ano 52 Nº 18.447

Confira a reportagem na íntegra:

Reportagem ZH

 

Programa investe R$ 18,6 milhões em assistência técnica a produtores

Apoio do Mapa objetiva melhoria da qualidade do produto e da gestão das propriedades

 

Leite Suadavel

O Programa Leite Saudável está selecionando 3.620 propriedades rurais nos estados de Goiás, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os pecuaristas dessas unidades de produção de leite vão receber assistência técnica e gerencial por 24 meses para que possam melhorar ainda mais a gestão de seus negócios e a qualidade do produto. As ações da primeira fase do programa, que prevê cursos e oficinais de capacitação, estão sendo financiadas com o repasse de R$ 18,6 milhões do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e à Cooperativa para o Desenvolvimento e Inovação da Atividade Leiteira (Cooperideal), localizada em Londrina (PR).

De acordo com a coordenação do programa, também houve atualização dos dados do serviço de inspeção do leite. Em um período de seis meses, o número de análises do produto pela Rede Brasileira de Laboratórios de Qualidade do Leite (RQBL) passou de 3 milhões para 47 milhões.

Além disso, o Mapa e a Embrapa começaram a desenvolver o Sistema de Inteligência para a Gestão da Qualidade do Leite. Quando estiver implantado, o sistema o governo poderá ter o diagnóstico completo da situação do leite no Brasil, mapeando as regiões que se encontram fora dos requisitos de qualidade. Isso permitirá direcionar as políticas públicas de incentivo à cadeia produtiva e as ações de fiscalização.

Outro incentivo do governo às propriedades leiteiras foi a liberação de créditos presumidos do PIS/Cofins. O Mapa está ajudando os produtores a elaborar projetos que buscam essa desoneração. Nos primeiros seis meses, 13 projetos foram aprovados, beneficiando 7 mil produtores, que deverão investir em melhoramento genético, educação sanitária e melhoria da qualidade do leite.

Mais competitividade

Nos últimos seis meses, o Mapa também trabalhou para ampliar mercado às exportações de laticínios. A meta é triplicar o volume de embarques de lácteos para os países com maior potencial de importação, como a Rússia e a China.

Um dos resultados desse esforço foi a habilitação de 23 estabelecimentos de produtos lácteos para negociar com a Rússia. Em 2015, o Brasil exportou 182 toneladas de manteiga e 248 toneladas de queijo para aquele mercado. Neste primeiro trimestre, o volume de embarques saltou para 54 toneladas de manteiga e 189 toneladas de queijo.

O Brasil também está avançando nas negociações com a China, com a atualização do certificado sanitário internacional, pré-requisito para abertura daquele mercado.

Pequenas agroindústrias

Outra conquista foi a elaboração da proposta de regulamentação dos procedimentos, das instalações e dos equipamentos para as pequenas agroindústrias, que elaboram produtos lácteos, como, por exemplo, de queijos artesanais. O Mapa flexibilizou as regras gerais para as pequenas agroindústrias, que tinham que cumprir normas incompatíveis com suas atividades e seu porte físico.

O Programa Leite Saudável, lançado em dezembro de 2015 pela ministra Kátia Abreu, tem sete eixos de atuação: assistência técnica gerencial, melhoramento genético, política agrícola, sanidade animal, qualidade do leite, marco regulatório e ampliação de mercados.

Fonte: Destaque Rural

Minha fazenda dá lucro? E quanto pode me pagar?

Consultor ensina a fazer levantamento de custos na propriedade e calcular pro labore do proprietário

Receitas x Despesas

Receitas x Despesas

A chamada “conta de padaria”, em que apenas se subtraem as despesas da receita, está longe de atender às necessidades de gestão econômica de um empreendimento, qualquer que seja; e muito menos determinar qual a sua rentabilidade e o valor do pro labore do proprietário. No caso de uma fazenda de pecuária, por exemplo, muitos fatores interferem no resultado. “É preciso ir mais fundo, não dá para parar por aí”, diz Dalmo Machado, zootecnista e co-fundador da Suporte Consultoria Pecuária. Em suas andanças por propriedades Brasil afora, ele conta que não raro precisa partir das bases para organizar as finanças das fazendas.

Nesses casos, seu primeiro passo é definir de que tipo de negócio pecuário está tratando. “Se for uma fazenda de cria, por exemplo, eu sei que a saída de produtos se dá no momento da desmama. Sei que há venda de machos e de excedente de fêmeas, e que o produtor fica com parte delas para reposição de matrizes”, diz. Com um modelo claro na cabeça, é viável fazer planejamentos de longo prazo e propor desvios na rota. “O modelo não precisa ser engessado. Uma fazenda de cria pode vender matrizes se o preço desses animais subir. O que não dá é para mudar de estratégia todo ano”, afirma o zootecnista.

Tendo nítida qual a sua atividade, o pecuarista deve fazer um levantamento patrimonial, que nada mais é do que uma relação de todos os bens da fazenda e seu respectivo valor, à exceção da terra. Entram aí precificação de benfeitorias: casas, galpões, curral, cocho – tudo que for infraestrutura. De itens com motor: caminhonete, moto, trator, máquinas em geral. De implementos: roçadeira, guincho, grade. De equipamentos: motosserra, jogo de ferramentas, freezer, geladeira, ar-condicionado. “A venda desse patrimônio geraria um valor X e é sobre ele que se aplicam fórmulas para calcular a manutenção e depreciação”, diz Dalmo. Ambos os valores devem, obrigatoriamente, entrar no custo anual das fazendas, sendo recomendado ao produtor com menos familiaridade com o assunto buscar assistência técnica.

“A depreciação, eu costumo dizer, é um valor fantasma que bate à porta quando você precisa trocar aquele trator velho”, lembra Dalmo, e ele explica por que.“Vamos supor que eu comprei uma máquina lá atrás por R$ 100 mil. Hoje, com dez anos de uso, ela vale 40% disso, vale 40 mil. Isso quer dizer que a cada ano eu deveria ter economizado R$ 6 mil para ter os R$ 60 mil que se perderam com a desvalorização”. Em resumo, a depreciação é quanto você precisa poupar para restituir o bem ao final de sua vida útil. O exemplo é ilustrativo, mas ajuda a entender por que a depreciação é uma peça chave no levantamento de custos da propriedade. Somada a ela vem, claro, a manutenção – gasto que faz com que os bens se conservem até o momento da troca. Atualizações nos valores dos bens podem ser feitas ao longo do tempo para corrigir preços e acompanhar o desenvolvimento do mercado.

Feito o levantamento patrimonial e aplicado sobre ele gastos com depreciação e manutenção, é preciso checar outros custos, como os variáveis que, por sua vez, estão ligados à atividade pecuária em si e mudam conforme o tamanho do rebanho. A esses custos é dado o nome de desembolsos (as famosas “despesas”). Abaixo, o que não pode ficar de fora da sua planilha de controle:

– Impostos: considerando que o produtor seja pessoa física, os mais comuns são o Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) e o Imposto de Renda (IR). De acordo com o estado, podem haver outros.

Sendo pessoa jurídica, há ainda encargos diferentes, como a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

– Assessoria: se enquadram neste item a prestação de serviços esporádicos por médicos-veterinários, agrônomos e zootecnistas. Escritórios de contabilidade, mais comumente, e de advocacia, quando necessário, também estão sob o mesmo chapéu.

– Custos com infraestrutura: abarcam contas com energia, telefone, internet, combustível e também gastos da sede (com alimentação, limpeza).

– Suplementação do rebanho: dependendo da prática de cada fazenda, pode corresponder a custos com sal mineral, proteico-energético ou ração concentrada.

– Gastos com a pastagem: no geral, adubação e limpeza.

– Sanidade: dividido em três, contempla gastos com vacinas, vermífugos e medicamentos de rotina.

– Reprodução (item levantado em propriedades de cria, não se aplica a fazendas de recria e engorda): agrega custos com reposição de touros, inseminação artificial, geralmente anuais, sêmen e hormônios.

– Mão de obra/Recursos Humanos: são os custos com folha de pagamento, ou seja, com profissionais registrados.

Nesse tópico não entram gastos com a figura do empreiteiro, que tem seus próprios funcionários e geralmente presta serviço de manutenção ao produtor. “Quando conserta uma cerca, o pecuarista que calculou depreciação e manutenção tem reservado aí não só o valor do material, mas também da mão de obra, que está prevista no cálculo”, explica Dalmo. Daí a importância de não registrar esse custo uma segunda vez, para que não fique duplicado.

– Pro labore: último item da lista, é a margem líquida anual que a fazenda pode gerar para o proprietário. Para obtê-la basta subtrair da receita o custo operacional total (depreciação + manutenção + desembolsos) anuais. Dividindo o valor final por 12, o produtor chega ao teto para o seu pro labore mensal. Obviamente, parte desse recurso será reinvestido na propriedade.

“Com todos esses dados, é possível que o pecuarista note que tem maquinário de mais considerando o tamanho do seu rebanho. Ou chegue à conclusão de que vale a pena terceirizar uma atividade a adquirir implementos para sua realização”, afirma Dalmo. Diagnóstico técnico e econômico, o levantamento de custos tem por objetivo fornecer um raio-X das finanças da fazenda e ajudar a identificar problemas que passam despercebidos no dia a dia. O resultado é a melhoria da gestão, seja reduzindo gastos desnecessários ou direcionando estrategicamente os recursos.

 

Fonte: Portal DBO

Gerenciamento financeiro da Propriedade Leiteira

A economia brasileira vive um momento de incerteza, muito se fala em crise e a atividade leiteira também está sendo afetada através da elevação dos custos de produção. É percebido que os custos fixos estão se elevando, sendo que, em algumas propriedades esses custos estão sendo superiores aos custos de alimentação, visto que no passado se falava em o maior custo na produção de leite era a alimentação.

Toda crise pode trazer oportunidades. Cabe ao gestor do negócio superar as dificuldades, tornar-se mais eficiente, cortar gastos desnecessários, eliminar as incompetências e perpetuar o negócio.

Toda propriedade leiteira deve ser administrada como uma empresa, pois o capital aplicado é alto e a remuneração deste capital nem sempre é satisfatória.

O gerenciamento é muito importante, principalmente quando a propriedade rural desempenha mais de uma atividade. É muito importante separar o real custo e a real lucratividade de cada atividade desenvolvida.

A produção de leite precisa, cada vez mais, ser profissionalizada, pois é sabido que as margens de lucro da atividade tem sido historicamente menores. O mercado dita o preço da venda do leite e de compra dos insumos, resta, então, ao produtor ser eficiente no gerenciamento interno da propriedade. Dentro desse contexto, adotar um sistema de avaliação de desempenho é fundamental.

Em um sistema de gerenciamento de uma propriedade leiteira, muitas são as variáveis a serem administradas, porém, necessárias. Vários índices devem ser avaliados.

Índices Zootécnicos: produção total de leite, produção individual de leite, produção das vacas de primeira lactação, idade do primeiro parto, distribuição dos partos, tempo de lactação, percentual de vacas secas, taxa de prenhes, numero de inseminação por prenhes, retorno ao cio, reposição de animais, descartes, taxa de mortalidade, numero de animais jovens, consumo de alimento concentrado e volumoso, entre outros.

Índices Econômicos: Remuneração do capital, depreciação, juros, investimentos, manutenção, reposição de equipamentos, energia elétrica, mão-de-obra, lucratividade, crescimento, perdas, entre outros.

A avaliação desses índices é muito importante para definir se a propriedade está equilibrada, pois muitas vezes falta dinheiro no final do mês, porque tem um setor da atividade que está custando mais que o recomendado.

É muito importante traçar metas e saber aonde cada propriedade quer chegar. O gerenciamento serve para dar subsidio na tomada de decisões e avaliar se as metas foram realizadas e quando não realizadas, fornecer orientação para um novo direcionamento das metas e entender porque não se atingiu o objetivo.

Administradores que implantam um sistema de gerenciamento em suas propriedades, passam a ver a atividade de outro ângulo, percebem que nem sempre o preço do leite e dos insumos são responsáveis pela baixa rentabilidade e a ineficiência em algum ponto leva parte dos lucros.

 

Jones Fernando Gay

Médico Veterinário

 

Fonte: Folha Agrícola – Fevereiro 2016

Clima quente e úmido favorece aparecimento de mastite bovina

mastiteNesta época do ano é comum o aumento da mastite nas vacas leiteiras. O clima úmido e quente é propício para a proliferação de bactérias que causam a doença. De acordo com o pesquisador Luiz Francisco Zafalon, da Embrapa Pecuária Sudeste, neste período chuvoso, a dificuldade para controlar a higiene é maior. “A contaminação pode ocorrer quando o animal deita-se no pasto úmido ou na terra encharcada e com excesso de esterco. As bactérias presentes no ambiente entram pelo teto e inicia-se o processo inflamatório. Durante a ordenha também é possível a transmissão das bactérias causadoras da mastite, de uma vaca para outra”, afirma Zafalon.

A mastite é a inflamação na glândula mamária do animal, prejudicando a qualidade e a quantidade de leite produzido. A vaca infectada pode deixar de produzir até três litros de leite por dia.

Quando o animal apresenta o quadro de mastite clínica, o produtor consegue visualizar alterações no leite, além de inchaços e vermelhidão nos tetos. Já na subclínica, o animal não apresenta alterações no leite nem na glândula mamária. Mas sua prevalência é superior e pode se espalhar no rebanho, o que causa prejuízos econômicos e compromete a qualidade do leite e a saúde do animal. A mastite subclínica é responsável por aproximadamente 70% das perdas relacionadas a essa doença.

Segundo o pesquisador, medidas para assegurar a qualidade e a segurança do leite devem ser iniciadas ainda na fazenda com a adoção de boas práticas de produção. Orientações de manejo e de cuidados com a higiene podem evitar prejuízos. Por isso é importante conscientizar o ordenhador e os produtores de leite, quanto aos procedimentos adequados de ordenha, incluindo as formas corretas de higienização e descontaminação do ambiente, do animal, do profissional e de todos os utensílios utilizados na ordenha. Nesta época de chuva, o cuidado com a higiene deve ser redobrado.

Fonte: Embrapa Pecuária


 

O software Control Milk – Tecnologia e Informação, oferece uma ferramenta onde é possível você calcular o impacto econômico das mastites na propriedade, seja com a perda de produtividade, ou com a recuperação de animais com diagnóstico clínico.

O novo empresário rural e o desafio da gestão do negócio

Provável sucessor de um negócio rural: alguma vez você já parou para pensar como seria herdar a gestão de um negócio familiar? O que você faria para dar continuidade ao negócio que o pai construiu e fez crescer? Seguiria fazendo tudo da mesma forma? Isso seria suficiente para levá-lo às próximas gerações?

Absorver a cultura, os valores e o amor pelo negócio criado pelo pai é essencial na etapa da transição. Entretanto, é necessário ter a percepção de que o que funcionou no ano passado até pode funcionar novamente neste ano, mas talvez não funcione no próximo. Assim, o que deu muito certo até hoje na gestão do pai, pode não ser o melhor caminho para os próximos anos. Portanto, é papel do gestor, além de reconhecer todas as coisas boas que ainda podem ser mantidas, repensar decisões anteriormente tomadas, avaliando os melhores caminhos.

Todo o gestor de negócio rural precisa compreender o que é o exercício da gestão. Ele deve estar sempre atento às mudanças de condições nas áreas econômicas, tecnológicas ou climáticas, repensando decisões o tempo todo. Repensar decisões e traçar novos caminhos é um exercício diário da gestão.

Sabe-se que, de forma geral, grande parte do tempo de um gestor é gasto com trabalhos e tarefas de rotinas e, o diferencial está no tempo investido em planejamento.

Podemos classificar as tomadas de decisão em dois tipos: as táticas e as estratégicas. As decisões táticas são aquelas pontuais, de curto prazo, que geralmente dispõe de urgência e são tomadas para que o negócio continue andando. Já as decisões estratégicas são de longo prazo, exigem planejamento e são tomadas para que o negócio prospere.

Nessa linha, podemos dizer que agir de forma tática significa fazer algo corretamente, com eficiência. Já atuar estrategicamente busca a eficácia, fazendo a coisa certa. Em outras palavras, a primeira faz com que o negócio continue andando e a segunda faz com que o negócio cresça e se desenvolva.

Decidir o preço e o momento certo para a venda de um produto são exemplos clássicos de uma decisão tática. Escolher o momento de plantar, colher e/ou vender também são exemplos de decisões táticas, no entanto, mais complexas, pois necessitam de um pouco mais de planejamento.

Traçar regras para as próximas gerações, através de um protocolo familiar; investir no gerenciamento de dados contábeis e financeiros; implantar um processo de governança coorporativa e a sucessão em vida são exemplos de decisões estratégicas. Nestes casos, o planejamento é fundamental. Planejar é buscar uma linha de ação, estabelecendo metas a curto e/ou a longo prazo, tendo “jogo de cintura” e percepção de que às vezes os rumos iniciais podem ser alterados por uma mudança de cenário

Em suma, planejamento não é um ato fixo, imóvel, e sim um conjunto de ações variáveis, que, ainda assim, deve seguir uma sequência lógica para ser eficaz:

1º passo: Identificação da mudança de cenário ou oportunidade de melhoria

2º passo: Traçar uma linha de ação

3º passo: Estabelecer metas de curto e de longo prazo

4º passo: Colocar em prática o que foi planejado

5º passo: Monitorar, acompanhar o andamento

6º passo: Ajustar o que for preciso

7º passo: Voltar ao primeiro passo

Nota-se que o planejamento é periódico. Após o ajuste, surge uma nova ideia, que é novamente colocada em prática, devendo ser sempre acompanhada e ajustada quando o gestor perceber a necessidade.

Diante dessa realidade, o acompanhamento e assessoramento de profissionais multidisciplinares e capacitados nas mais diversas áreas de atuação é de grande valor para o gestor, seja ele o pai preocupado com a sucessão do negócio ou o filho sucessor que assumirá o desafio diário da gestão do negócio rural.

 

Fonte: Destaque Rural