6 fatos para lidar com a mastite e evitar prejuízos na produção de leite

Para evitar que o rebanho seja afetado pela doença é necessário investir em boas práticas na ordenha e higiene

Por Naiara Araújo

A mastite é uma doença muito grave que atinge o rebanho leiteiro e se caracteriza pela inflamação das glândulas mamárias das vacas. Atualmente, a doença é a principal causa de prejuízos na produção de leite. Para evitar que o rebanho seja afetado pela doença é necessário investir, principalmente, em boas práticas na ordenha e higiene do local onde os animais ficam alojados.

Segundo a médica veterinária Roberta Züge, que é conselheira no Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS), o produtor deve buscar um ambiente sem riscos de contaminação e não deixar a área com lama ou esterco. “Com a mastite a composição do leite fica diferente, o animal produz menos e o produtor recebe menos. Se o produtor fizer corretamente o manejo ele evita perdas com a mastite”, diz Roberta.

 

1 – Mastite clínica e subclínica

A mastite é dividida em duas categorias, a clínica e a subclínica. Esse é um dos grandes problemas da doença, porque enquanto a mastite clínica é evidente, a mastite subclínica age silenciosamente, o que faz com que os produtores demorem mais para identificar a doença.

 

2 – Como identificar?

As vacas com mastite clínica apresentam alterações nas mamas, como inchaço ou vermelhidão. O leite pode sair com pequenos coágulos ou pus. Segundo Roberta, a gravidade da infecção pode variar dependendo do micro-organismo responsável pela contaminação. O comportamento do animal também muda e eles podem apresentar falta de apetite, febre e redução da produção.

Já nos casos de mastite subclínica as alterações não são visuais. Mas, por meio de testes é possível identificar a doença. A Contagem de Células Somáticas (CCS) é um dos métodos mais utilizados para realizar o diagnóstico, já que o aumento de células somáticas é um sinal de mastite. As células somáticas são as células de defesa do animal. Quando a vaca fica doente, com a inflamação, o número de células somáticas aumenta para destruir as bactérias. Por isso, o aumento dessas células somáticas no leite indica que há infecção no úbere da vaca. “A mastite subclínica não apresenta sintomas como a mastite clínica, a não ser que haja uma redução na produção de leite, que muitas vezes passa despercebida”, diz Roberta.

 

3 – Como a mastite prejudica o rebanho?

Mastite

Simulação de incidência de mastite em rebanho leiteiro

Somente com o diagnóstico correto o produtor poderá saber se o seu rebanho está sadio. O diagnóstico por meio do Califórnia Mastite Teste (CMT) é muito utilizado para identificar vacas com mastite subclínica por meio da quantidade de células somáticas. Segundo informações da Embrapa, é necessário usar uma raquete contendo quatro cavidades e o reagente do CMT. Roberta explica que, quando há um animal com mastite clínica, provavelmente muitas outras vacas do rebanho apresentam a mastite subclínica. “Se não houver o teste de CMT não diagnosticamos os animais corretamente”, afirma Roberta.

 

 

4 – Perdas na qualidade do leite

Além de ser prejudicial para a saúde das vacas leiteiras, a mastite interfere diretamente na qualidade do leite. Segundo Roberta, o teor de gordura pode cair de 3,7% para 3,1% na composição de um leite normal por um produzido por uma vaca com a doença. No caso da lactose, a queda seria de 4,9% para 4,2%. As taxas de proteína, sódio, cloreto e cálcio também são afetadas pela inflamação mamária.

 

5 – Prejuízo financeiro

A mastite clínica resulta em grandes perdas por descarte de leite, gastos com medicamentos e, em alguns casos, pode levar a morte do animal. Porém, segundo especialistas do setor, os maiores prejuízos são causados pela mastite subclínica, que age discretamente e não chama a atenção do produtor ou funcionários.

 

Segundo Roberta, uma vaca infectada produz menos leite, o volume produzido terá qualidade inferior e o preço pago pelo produto recua. Em uma simulação na qual a CCS sobe de 200 mil para 750 mil células por mililitro de leite, o prejuízo mensal pode ultrapassar R$ 5 mil e o anual R$ 61 mil.

 

6 – Tratamento da mastite

Quando uma vaca é diagnosticada com mastite, às vezes é necessário realizar a secagem desse animal. Segundo Roberta, o procedimento tem como objetivo recuperar a sanidade da glândula mamária para a próxima lactação. Para realizar o processo indicado pela profissional será necessário o uso de avental impermeável, botas de borracha e antibiótico intramamário. “O produtor deve realizar o tratamento correto, preconizado pelo médico veterinário, que deve identificar o agente causador da doença e utilizar o medicamento adequado”, afirma Roberta.

 

O primeiro passo é ordenhar a vaca manual e alternadamente. Após dois dias, voltar a ordenhar a vaca uma única vez no dia. De acordo com orientações da médica veterinária, é necessário esperar mais dois dias para voltar a realizar o procedimento. Caso seja o início do período seco e não seja mais necessário realizar uma nova ordenha, deve-se aplicar o antibiótico em todos os quartos mamários das vacas com a doença. “O tratamento da vaca seca é muito importante para a redução da mastite subclínica do rebanho e para reduzir novas infecções que venham a ocorrer nas primeiras semanas e no restante do período seco”, diz a Embrapa

 

Fonte: SFAgro

 

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