Start Digital – ZH – Control Milk

Foi a partir de um gargalo real que uma empresa de Teutônia – RS criou uma solução digital para melhorar a qualidade da gestão em propriedades de gado leiteiro.

Com a entrada no mercado em 2012, o software Control Milk, ganhou corpo a partir do ano passado, quando os sócios participaram do programa Startup RS, desenvolvido pelo Sebrae-RS. Em 2015, duas turmas somando 40 empresas, participaram da iniciativa. Agora, outras 15 buscam a formação. Uma nova edição do curso está prevista para o segundo semestre.

O objetivo, como explica João Antonio Pinheiro Neto, gestor de projetos e do Startup RS, é “desenvolver um modelo de negócios para receber investimentos”. Por meio de oficinas e workshops, são exploradas todas as habilidades que a startup precisa ter.

–  A tecnologia pode deixar o agronegócio ainda mais produtivo – afirma o gestor.

A Control Milk desenvolveu um software para gestão zootécnica e financeira das propriedades, que é instalado no computador e permite o trabalho offline – vale lembrar que telefonia e internet móvel ainda são precários no meio rural. Mas também tem aplicativo para deixar as informações ao alcance da mão. É possível compartilhar também com técnicos e empresas.

– O objetivo era trabalhar com os produtores. A ideia de envolver empresas veio com a formação no Sebrae – afirma Dionatan Hamester, sócio da Control Milk ao lado de Vilson Mayer.

 

Fonte: Zero Hora – Campo Aberto – Ano 52 Nº 18.447

Confira a reportagem na íntegra:

Reportagem ZH

 

Programa investe R$ 18,6 milhões em assistência técnica a produtores

Apoio do Mapa objetiva melhoria da qualidade do produto e da gestão das propriedades

 

Leite Suadavel

O Programa Leite Saudável está selecionando 3.620 propriedades rurais nos estados de Goiás, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os pecuaristas dessas unidades de produção de leite vão receber assistência técnica e gerencial por 24 meses para que possam melhorar ainda mais a gestão de seus negócios e a qualidade do produto. As ações da primeira fase do programa, que prevê cursos e oficinais de capacitação, estão sendo financiadas com o repasse de R$ 18,6 milhões do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e à Cooperativa para o Desenvolvimento e Inovação da Atividade Leiteira (Cooperideal), localizada em Londrina (PR).

De acordo com a coordenação do programa, também houve atualização dos dados do serviço de inspeção do leite. Em um período de seis meses, o número de análises do produto pela Rede Brasileira de Laboratórios de Qualidade do Leite (RQBL) passou de 3 milhões para 47 milhões.

Além disso, o Mapa e a Embrapa começaram a desenvolver o Sistema de Inteligência para a Gestão da Qualidade do Leite. Quando estiver implantado, o sistema o governo poderá ter o diagnóstico completo da situação do leite no Brasil, mapeando as regiões que se encontram fora dos requisitos de qualidade. Isso permitirá direcionar as políticas públicas de incentivo à cadeia produtiva e as ações de fiscalização.

Outro incentivo do governo às propriedades leiteiras foi a liberação de créditos presumidos do PIS/Cofins. O Mapa está ajudando os produtores a elaborar projetos que buscam essa desoneração. Nos primeiros seis meses, 13 projetos foram aprovados, beneficiando 7 mil produtores, que deverão investir em melhoramento genético, educação sanitária e melhoria da qualidade do leite.

Mais competitividade

Nos últimos seis meses, o Mapa também trabalhou para ampliar mercado às exportações de laticínios. A meta é triplicar o volume de embarques de lácteos para os países com maior potencial de importação, como a Rússia e a China.

Um dos resultados desse esforço foi a habilitação de 23 estabelecimentos de produtos lácteos para negociar com a Rússia. Em 2015, o Brasil exportou 182 toneladas de manteiga e 248 toneladas de queijo para aquele mercado. Neste primeiro trimestre, o volume de embarques saltou para 54 toneladas de manteiga e 189 toneladas de queijo.

O Brasil também está avançando nas negociações com a China, com a atualização do certificado sanitário internacional, pré-requisito para abertura daquele mercado.

Pequenas agroindústrias

Outra conquista foi a elaboração da proposta de regulamentação dos procedimentos, das instalações e dos equipamentos para as pequenas agroindústrias, que elaboram produtos lácteos, como, por exemplo, de queijos artesanais. O Mapa flexibilizou as regras gerais para as pequenas agroindústrias, que tinham que cumprir normas incompatíveis com suas atividades e seu porte físico.

O Programa Leite Saudável, lançado em dezembro de 2015 pela ministra Kátia Abreu, tem sete eixos de atuação: assistência técnica gerencial, melhoramento genético, política agrícola, sanidade animal, qualidade do leite, marco regulatório e ampliação de mercados.

Fonte: Destaque Rural

Minha fazenda dá lucro? E quanto pode me pagar?

Consultor ensina a fazer levantamento de custos na propriedade e calcular pro labore do proprietário

Receitas x Despesas

Receitas x Despesas

A chamada “conta de padaria”, em que apenas se subtraem as despesas da receita, está longe de atender às necessidades de gestão econômica de um empreendimento, qualquer que seja; e muito menos determinar qual a sua rentabilidade e o valor do pro labore do proprietário. No caso de uma fazenda de pecuária, por exemplo, muitos fatores interferem no resultado. “É preciso ir mais fundo, não dá para parar por aí”, diz Dalmo Machado, zootecnista e co-fundador da Suporte Consultoria Pecuária. Em suas andanças por propriedades Brasil afora, ele conta que não raro precisa partir das bases para organizar as finanças das fazendas.

Nesses casos, seu primeiro passo é definir de que tipo de negócio pecuário está tratando. “Se for uma fazenda de cria, por exemplo, eu sei que a saída de produtos se dá no momento da desmama. Sei que há venda de machos e de excedente de fêmeas, e que o produtor fica com parte delas para reposição de matrizes”, diz. Com um modelo claro na cabeça, é viável fazer planejamentos de longo prazo e propor desvios na rota. “O modelo não precisa ser engessado. Uma fazenda de cria pode vender matrizes se o preço desses animais subir. O que não dá é para mudar de estratégia todo ano”, afirma o zootecnista.

Tendo nítida qual a sua atividade, o pecuarista deve fazer um levantamento patrimonial, que nada mais é do que uma relação de todos os bens da fazenda e seu respectivo valor, à exceção da terra. Entram aí precificação de benfeitorias: casas, galpões, curral, cocho – tudo que for infraestrutura. De itens com motor: caminhonete, moto, trator, máquinas em geral. De implementos: roçadeira, guincho, grade. De equipamentos: motosserra, jogo de ferramentas, freezer, geladeira, ar-condicionado. “A venda desse patrimônio geraria um valor X e é sobre ele que se aplicam fórmulas para calcular a manutenção e depreciação”, diz Dalmo. Ambos os valores devem, obrigatoriamente, entrar no custo anual das fazendas, sendo recomendado ao produtor com menos familiaridade com o assunto buscar assistência técnica.

“A depreciação, eu costumo dizer, é um valor fantasma que bate à porta quando você precisa trocar aquele trator velho”, lembra Dalmo, e ele explica por que.“Vamos supor que eu comprei uma máquina lá atrás por R$ 100 mil. Hoje, com dez anos de uso, ela vale 40% disso, vale 40 mil. Isso quer dizer que a cada ano eu deveria ter economizado R$ 6 mil para ter os R$ 60 mil que se perderam com a desvalorização”. Em resumo, a depreciação é quanto você precisa poupar para restituir o bem ao final de sua vida útil. O exemplo é ilustrativo, mas ajuda a entender por que a depreciação é uma peça chave no levantamento de custos da propriedade. Somada a ela vem, claro, a manutenção – gasto que faz com que os bens se conservem até o momento da troca. Atualizações nos valores dos bens podem ser feitas ao longo do tempo para corrigir preços e acompanhar o desenvolvimento do mercado.

Feito o levantamento patrimonial e aplicado sobre ele gastos com depreciação e manutenção, é preciso checar outros custos, como os variáveis que, por sua vez, estão ligados à atividade pecuária em si e mudam conforme o tamanho do rebanho. A esses custos é dado o nome de desembolsos (as famosas “despesas”). Abaixo, o que não pode ficar de fora da sua planilha de controle:

– Impostos: considerando que o produtor seja pessoa física, os mais comuns são o Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) e o Imposto de Renda (IR). De acordo com o estado, podem haver outros.

Sendo pessoa jurídica, há ainda encargos diferentes, como a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

– Assessoria: se enquadram neste item a prestação de serviços esporádicos por médicos-veterinários, agrônomos e zootecnistas. Escritórios de contabilidade, mais comumente, e de advocacia, quando necessário, também estão sob o mesmo chapéu.

– Custos com infraestrutura: abarcam contas com energia, telefone, internet, combustível e também gastos da sede (com alimentação, limpeza).

– Suplementação do rebanho: dependendo da prática de cada fazenda, pode corresponder a custos com sal mineral, proteico-energético ou ração concentrada.

– Gastos com a pastagem: no geral, adubação e limpeza.

– Sanidade: dividido em três, contempla gastos com vacinas, vermífugos e medicamentos de rotina.

– Reprodução (item levantado em propriedades de cria, não se aplica a fazendas de recria e engorda): agrega custos com reposição de touros, inseminação artificial, geralmente anuais, sêmen e hormônios.

– Mão de obra/Recursos Humanos: são os custos com folha de pagamento, ou seja, com profissionais registrados.

Nesse tópico não entram gastos com a figura do empreiteiro, que tem seus próprios funcionários e geralmente presta serviço de manutenção ao produtor. “Quando conserta uma cerca, o pecuarista que calculou depreciação e manutenção tem reservado aí não só o valor do material, mas também da mão de obra, que está prevista no cálculo”, explica Dalmo. Daí a importância de não registrar esse custo uma segunda vez, para que não fique duplicado.

– Pro labore: último item da lista, é a margem líquida anual que a fazenda pode gerar para o proprietário. Para obtê-la basta subtrair da receita o custo operacional total (depreciação + manutenção + desembolsos) anuais. Dividindo o valor final por 12, o produtor chega ao teto para o seu pro labore mensal. Obviamente, parte desse recurso será reinvestido na propriedade.

“Com todos esses dados, é possível que o pecuarista note que tem maquinário de mais considerando o tamanho do seu rebanho. Ou chegue à conclusão de que vale a pena terceirizar uma atividade a adquirir implementos para sua realização”, afirma Dalmo. Diagnóstico técnico e econômico, o levantamento de custos tem por objetivo fornecer um raio-X das finanças da fazenda e ajudar a identificar problemas que passam despercebidos no dia a dia. O resultado é a melhoria da gestão, seja reduzindo gastos desnecessários ou direcionando estrategicamente os recursos.

 

Fonte: Portal DBO

No Brasil, desenvolvimento da pecuária leiteira depende mais de gestão do que de novas tecnologias

O avanço tecnológico proporcionou à atividade leiteira grandes avanços. Só nas últimas quatro décadas, a produção cresceu 185% no Brasil. Porém, este desenvolvimento não foi acompanhado por um avanço nas práticas de gestão da propriedade

 

Animais no campo

O coordenador técnico do Educampo, Christiano Nascif, alerta que só é possível obter lucro de forma sustentável com gestão. A observação foi feita durante o 2º Simpósio Regional de Produção de Silagem de Milho e Sorgo, realizado no campo experimental da Embrapa em Coronel Pacheco – MG.

Os latifúndios com grandes benfeitorias, baixo aproveitamento das áreas, animais grandes e robustos com baixa produtividade são parte de um cenário em desuso. A atividade hoje adota áreas menores e mais produtivas, animais de genética melhorada, capazes de responder com uma produção maior em volume e melhor em qualidade. Apesar de tantas mudanças, a gestão continua negligenciada e pouco profissional. “Em média, o produtor de leite mineiro tem patrimônio de 700 mil reais investido na propriedade para gerar 200 litros de leite por dia. Essa proporção é impensável em uma padaria, uma farmácia e mesmo em outras atividades rurais, como a suinocultura. Não é compatível.”

O patrimônio reflete investimentos em tecnologias para as quais o produtor não está preparado. “Isso é queimar a tecnologia. Nem sempre a implantação de uma boa tecnologia compensa economicamente. Avaliar quando será compensador é gestão. É preciso dar um passo de cada vez”, sentencia Nascif, que explica: “Aumentar a produtividade por hectare e reduzir o intervalo de partos são objetivos necessários para aumentar a eficiência tecnológica. Isto significa conquistar resultados meio. Mas só serão efetivos se contribuírem para o alcance do resultado fim, ou seja: aumentar a eficiência econômica, fazer o produtor ganhar mais dinheiro”.

A gestão da propriedade passa pela coleta rotineira de informações. Tudo deve ser organizado em um banco de dados atualizado. Este controle pode ser feito no papel, em planilhas no computador ou em softwares de gerenciamento; tanto faz, desde que seja organizado e atualizado frequentemente. Assim, produtor e técnico de assistência têm subsídios para interpretar os dados que refletem o custo de produção para, então, planejar as ações de melhoria e gerenciar os resultados.

O coordenador do Educampo acredita que quem não planeja, fracassa. É preciso ter planejamento para ser mais eficiente, o que quer dizer produzir mais com menos. Sobre a interpretação dos dados para traçar o plano de ações, ele aconselha: “Quando o produtor intensifica a produção, reduz a margem de lucro por litro, mas aumenta o lucro total. Por isso deve usar indicadores com escalas maiores”.

Numa avaliação dos dados dos participantes do programa Educampo no período de outubro de 2014 a setembro de 2015, seis custos de produção representaram quase 80% do custo total. São eles: concentrados, mão de obra familiar (estimando uma remuneração compatível com o preço de mercado na atividade específica de cada um), volumosos, remunerações, depreciações e mão de obra. Baseado nesta análise, Nascif conclui: “Para saber onde cortar, tem que conhecer o peso de cada custo no custo total. Não adianta cortar itens de baixo impacto”.

O evento

O 2º Simpósio Regional de Produção de Silagem de Milho e Sorgo é realizado pela Embrapa (Gado de Leite, Milho e Sorgo e Produtos e Mercados / Escritório de Sete Lagoas) em parceria com a Riber KWS Sementes. A edição foi realizada no Campo Experimental José Henrique Bruschi, da Embrapa Gado Leite, com mais de 100 técnicos e produtores participando presencialmente. O evento também foi transmitido ao vivo pela rede social temática www.repileite.com.br. Quase 600 usuários acessaram a transmissão, com média de 50 pessoas ligadas ao mesmo tempo, interagindo via chat.

A programação contou com quatro palestras técnicas, que estimularam uma discussão em torno das principais técnicas e tecnologias das silagens de milho e sorgo, além de lançarem um olhar sobre o futuro da atividade leiteira, buscando enxergar soluções para aumentar a produtividade no campo e a rentabilidade do produtor.

 

Fonte: Portal do Agronegócio

É tempo de se planejar

Pecuarista deve saber, na ponta do lápis, como, quando e por que o seu dinheiro está sendo usado

 

Início de ano é época propícia para o produtor de leite planejar atividades da propriedade e definir estratégias a serem adotadas ao longo dos próximos meses. Mas um bom projeto a médio ou longo prazos depende de uma boa organização do pecuarista, principalmente no que se refere a saber “onde se está” e “aonde se quer chegar”. Saber “onde se está”, o primeiro passo de um planejamento estratégico, significa fazer o “inventário” dos recursos disponíveis, isto é, avaliar área disponível, instalações, rebanho (todas as categorias), alimento (pasto, concentrado, Rebanho passa por revisão periódica suplementação), mão de obra e máquinas e equipamentos. Na outra ponta, deve estar a meta pretendida para a propriedade.

 

“Planejar é projetar um trabalho ou serviço, determinar as metas da atividade e avaliar todos os recursos necessários para alcançá-la. Na pecuária leiteira, o primeiro ponto a ser considerado é uma análise detalhada do que realmente se tem ou do que se pretende ter”, afirmam os pesquisadores da Embrapa Gado de Leite Rosangela Zoccal e José Luiz Bellini Leite. “Planejamento requer saber onde se está (inventário da propriedade) e aonde se quer chegar (meta estabelecida). Tendo o ponto de partida (situação atual mostrada no inventário) e o ponto de chegada (situação desejada), um caminho lógico se apresenta”, dizem os pesquisadores.Antes de decidir sobre qualquer mudança, é importante que o produtor tenha em mãos os indicadores de desempenho zootécnico e econômico da atividade, o que se pode conseguir com a prática simples de tomar nota desses dados. Planilhas podem armazenar, de forma organizada, informações sobre os principais indicadores de desempenho zootécnico, como produção diária de leite; número de vacas em lactação e total de vacas; produção por vaca em lactação (litros/vaca em lactação/dia); produtividade da mão de obra (litros/funcionário/dia); produção por área de pastagem (litros/hectare); consumo de concentrado por litro de leite (quilos/litros), além de índice de fertilidade dos animais (do total de fêmeas cobertas, quantas ficam prenhes); índice de natalidade (proporção de bezerros nascidos em relação a fêmeas em produção); taxa de mortalidade e índice de animais descartados.

Entre os produtores, a Embrapa Gado de Leite tem difundido o conceito de gestão como a administração de tudo o que deve ocorrer na propriedade para a realização do que foi planejado. Por isso as anotações das informações zootécnicas e financeiras são fundamentais para se conhecer, administrar e tomar decisões e, nesse caso, a dica dos pesquisadores é procurar a melhor forma possível de fazer essas anotações. “Há vários tipos de planilha que podem ser utilizadas, que são as mais indicadas porque é grande a quantidade de informações que devem ser consideradas em um sistema complexo como a produção de leite. Quanto mais detalhada for a informação, mais fácil de se avaliar a atividade. O importante é anotar os dados de forma correta”, ensinam.

Segundo eles, o ideal é ter um planejamento de médio prazo (três anos), estabelecendo metas, e um de curto prazo (um ano), em que seria detalhado o que será realizado a partir do início do ano para se obter a meta estipulada. “Se o que foi planejado não for realizado, pode-se fazer o mesmo exercício considerando fevereiro como mês de partida e daí projetar os trabalhos, considerando que a atividade leiteira é contínua, não para durante o ano”, recomendam Rosangela e José Luiz.

Uma boa gestão é aquela que contribui para a obtenção das metas estabelecidas e com o menor custo possível. O primeiro passo para isso é ter informação para a tomada de decisão envolvendo índices zootécnicos e econômicos da propriedade e acompanhamento das informações de mercado. No mercado existem programas de informática que ajudam na coleta e organização dos dados.

“Além de produzir bem e com o menor custo possível, é importante lembrar que, como o leite é um produto perecível e de difícil estocagem, o produtor não tem muita margem de negociação no preço de venda, por isso a preocupação de produzir ao menor custo é essencial e, neste ponto, a compra dos insumos em parceria com outros produtores ou em conjunto com cooperativas é favorável.”

Segundo os pesquisadores da Embrapa, o cálculo de quanto custa produzir o leite ajuda a definir as metas e corrigir distorções na propriedade.

Basicamente, o produtor pode trabalhar com três indicadores: renda total; margem bruta e margem líquida ou lucro. A renda total é o valor obtido com a venda do leite, a venda de animais e o esterco. A margem bruta é o valor da receita total menos o custo operacional efetivo (não considera despesas como depreciação de maquinário e equipamentos). “Se o resultado for positivo, significa que o produtor cobre todo o desembolso realizado no período. Pode indicar a sobrevivência, pelo menos a curto prazo. Se o resultado da margem bruta for negativo, a atividade está antieconômica e não paga os gastos realizados”, afirmam os pesquisadores. A margem líquida é a receita total menos o custo operacional total. Se o resultado for positivo, a atividade está estável, com possibilidade de expansão e sobrevivência no longo prazo.

Se for negativo, a condição do produtor é crítica para a sobrevivência no longo prazo, porque não está conseguindo remunerar os custos fixos. Se o resultado for zero, indica que a atividade está no ponto de equilíbrio e em condição de refazer o capital fixo no longo prazo”, dizem os pesquisadores da Embrapa.

Gestão

Critérios como crescimento ou estabilização da fazenda, aumento ou não de pastagens, aquisição de equipamentos e máquinas, melhoria das instalações, descarte ou compra de animais só fazem sentido quando há metas a serem atingidas. De outra forma, afirmam, as decisões tomadas têm como propósito “apagar incêndio” – quando a máquina quebra ou quando as instalações começam a se deteriorar, por exemplo. “A meta para as propriedades produtoras de leite deve ser econômica e, com base nela, projeta-se o que será preciso para alcançá-la, em termos de recursos – animais, terras, mão de obra, máquinas e equipamentos, instalações – necessários.”

Normalmente, o item que representa o maior custo na atividade leiteira é a alimentação do rebanho. Com isso, é imprescindível ter em mãos indicadores que permitam medir a eficiência do sistema de produção, como a taxa de lotação das pastagens, que é resultante do número de vacas em lactação dividido pela área (em hectares) destinada a essa categoria, e a produtividade das pastagens, que é a produção anual de leite em relação à área total do sistema produtivo. “Em muitos casos, o que se precisa é recuperar as pastagens ou realizar uma adubação, e não aumentar a área”, dizem os pesquisadores. Uma dica para evitar gastos desnecessários é buscar uma referência do potencial do solo obtido na região. “A alimentação é o item de maior impacto nos custos da produção de leite. Estabelecer uma estratégia alimentar do rebanho, com orientação técnica competente é o caminho mais adequado.”

Para os pesquisadores da Embrapa, hoje não basta mais os produtores saberem o que acontece “da porteira para dentro”; é fundamental manter-se informado sobre o que acontece “da porteira para fora”. “A demanda e oferta de leite no País e no mundo, o nível de importação e exportação, políticas do governo para o setor… São vários fatores, distantes do dia a dia do produtor, mas que interferem no seu negócio, principalmente no preço do leite. Estar bem informado é condição imperiosa dos dias modernos. Ter acesso e saber utilizar as informações disponíveis é imprescindível. Não se pode tomar decisão sem informação. Ela hoje existe e está disseminada e o produtor deve aprender a acessá-la e selecionar o que é relevante para seu negócio. Informações de conjuntura e a dinâmica da cadeia produtiva do leite devem ser do interesse do produtor profissional.”

“Para administrar uma propriedade leiteira de forma profissional é preciso, em termos de gestão, implementar o ciclo PDCA (Planejamento, Desenvolvimento, Controle e Avaliação). É o ciclo completo da gestão que começa no planejamento e vai até a avaliação e retroalimentação do planejamento do próximo ciclo.”

Com uma experiência de 18 anos de atuação com produtores de leite, o engenheiro agrônomo Lúcio Antonio Oliveira Cunha reforça a importância de se traçarem metas num plano de gestão. “Um bom projeto começa pela meta que se quer alcançar, e que resulta da relação entre o potencial e as limitações da propriedade. A partir daí traçam-se os índices, custos e resultados a serem alcançados. Uma vez apresentado o projeto final, técnico e produtor planejam a obtenção das metas de curto, médio e longo prazos”, afirma Cunha, que é consultor técnico do programa Balde Cheio, da Embrapa Pecuária Sudeste, e coordena o projeto no Espírito Santo. Cerca de 4.000 propriedades em todo o País fazem parte do projeto de transferência de tecnologia que promove o desenvolvimento da pecuária leiteira em pequenas propriedades. Em 2013 o programa Balde Cheio completou 15 anos.

“Quem planeja às vezes erra, quem não planeja às vezes acerta”, costuma dizer Cunha aos produtores de leite com que trabalha. Segundo ele, é a partir do fim de janeiro de cada ano, quando o produtor normalmente fecha o mês de dezembro, que a planilha de custos de todo o ano anterior é completada. Assim, explica o consultor, têm início todas as análises econômicas e administrativas da atividade, com base nos resultados colhidos. “Primeiro analisamos, técnico e produtor, cada item da relação dos gastos operacionais e os confrontamos com sua meta ideal de participação no gasto total. Aí sabemos onde estamos eficientes (dentro ou abaixo das metas) ou ineficientes (acima das metas), definindo estratégias para nos mantermos eficientes onde já somos e alcançarmos a eficiência onde precisamos. Analisamos cada índice agronômico, zootécnico e econômico, buscando entender o porquê de cada índice e comparando com as metas traçadas no início do ano anterior”, explica o agrônomo.

Segundo Cunha, itens como crescimento ou estabilização de pastagens, manutenção ou aquisição de máquinas e melhoria em instalações normalmente estão ligados às metas de investimentos previamente definidas. Já o item descarte ou compra de animais também é influenciado pela distribuição dos partos previstos para ocorrerem ao longo do ano. “Vai depender se os partos estão dentro ou abaixo do esperado. Analisamos ainda o desempenho produtivo e reprodutivo de cada vaca, os índices de eficiência zootécnicos obtidos, como intervalo entre partos. Essa ‘eficiência animal’ pode ser uma importante fonte receita que, eventualmente, pode patrocinar outros gastos estratégicos.”

Na sua vivência no campo, Cunha destaca que é função do produtor fazer as anotações das fichas de campo, com as ocorrências zootécnicas (partos, coberturas, peso leiteiro, nascimentos, pesagem de bezerras e novilhas); econômicas (gastos e receitas), e climáticas (regime de chuvas e temperaturas máximas e mínimas). “Assim podemos preencher as fichas individuais e de acompanhamento do rebanho e as planilhas de custos.”

Toda essa teoria disseminada por pesquisadores e técnicos pode ser vista, na prática, na Fazenda Olhos D’Água, em Liberdade, Minas Gerais. Produtor de leite há 13 anos, João Paulo Varella conta que, antes de tomar qualquer decisão relativa a investimentos na fazenda, analisa de forma minuciosa, primeiro, o potencial de pastagens diante do rebanho atual. “O ponto básico para o planejamento e gestão do negócio é o conhecimento da propriedade”, resume o produtor. “Conhecer a propriedade, saber de tudo o que acontece, é essencial para tomar qualquer decisão, corrigir os erros e melhorar a gestão.”

A Olhos D’Água possui 15 hectares de pastagens divididos em 125 piquetes, compondo 8 módulos, além de 16 hectares de milho para silagem e 0,5 hectare de cana-de-açúcar. O rebanho total é de 164 animais – 82 vacas em lactação produzem, em média, 45.000 litros de leite por mês.
Para se organizar e sistematizar todas as informações da fazenda, Varella utiliza um programa de gerenciamento de rebanho específico para a reprodução e produção de leite. “São controlados ou apontados os eventos reprodutivos e o controle mensal de produção de leite, o que me permite fazer seleção e tomadas de decisão em relação ao arraçoamento (número diário de alimentação) das vacas.” Informações do acompanhamento veterinário na área de reprodução e sanidade também são armazenadas no banco de dados da fazenda.

“Quem tem alimento pode aumentar o rebanho; quem não tem alimento deve diminuir o rebanho. Também devemos analisar se as instalações, máquinas e equipamentos permitem o aumento de produção. Devemos trabalhar para otimizar a produção de alimentos e animais, usando nossas instalações, máquinas e equipamentos. O que mais vejo na prática é excesso de instalações, máquinas e equipamentos e escassez de alimento e animais pouco produtivos”, afirma Varella, que é engenheiro agrônomo e atua como consultor em pecuária de leite e corte.

Os itens mais representativos nos custos de produção de leite são, segundo o produtor, alimentos concentrados (farelos), alimentos volumosos (pastagens e silagens) e mão de obra. “Na compra de alimentos concentrados e insumos agrícolas, ao longo do tempo, desenvolvi parceiros fornecedores que me garantem bons produtos e preços justos com o mercado. Procuro fazer compras estratégicas em épocas de preço interessante.” Para isso, diz ele, o acompanhamento constante do mercado de leite e insumos é fundamental. “A conjuntura é determinante. No meu caso, em épocas de crise me programo para reduzir investimentos em custos fixos, como instalações, máquinas e equipamentos, e aumentar investimentos em fatores produtivos, como alimentos e animais. Sem esquecer de outro item de fundamental importância, escasso e caro: a mão de obra. Temos de investir em pessoas. Pode não ser diretamente em salários, mas em aprendizado e capacitação.

“O que transforma os chamados volumosos em leite são os animais. O bom animal deve exigir nosso maior investimento. E isso só é possível quando temos bom alimento para oferecer a estes animais.” Varella conta que controla os custos de produção por meio de uma planilha da Embrapa Pecuária Sudeste que é usada no programa Balde Cheio.

Valores de referência

Para tomar uma decisão de descarte ou compra de animais, além de considerar indicadores como produtividade por animal, é importante avaliar a composição do rebanho nas diferentes categorias. Alguns valores de referência para os indicadores:

• Porcentual de vacas em lactação: 80%
• Duração da lactação: 300 dias
• Intervalo entre partos: 13 meses
• Taxa de natalidade: 93%
• Vida útil da vaca: 8 anos
• Vida útil do touro: 5 anos
• Número de partos por vaca: 7
• Taxa de reposição: 13%/ano

Projeto estimula produtor a colocar as contas todas no papel

Colocar tudo na ponta do lápis ainda não é um hábito comum aos produtores rurais, segundo o analista de mercado do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) Wagner Yanaguizawa. Desde 2008, o Cepea, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), estimula a profissionalização da gestão de fazendas leiteiras por meio do levantamento e divulgação de custos de produção de propriedades representativas das regiões pesquisadas. O projeto, chamado de Campo Futuro, já existia para outras cadeias produtivas e foi ampliado para o setor de leite. Até agora, o projeto já passou por 17 Estados, onde “mapeou” cerca de cem regiões leiteiras.

“Em cada encontro do projeto, reunimos produtores, explicamos a diferença entre custos operacionais efetivos, custos operacionais totais e custos totais, apresentamos a eles as planilhas e fazemos em conjunto o preenchimento dos dados, levando em conta aquilo que é consenso entre os participantes de cada encontro. A ideia é conscientizá-los da importância de se ter controle dos custos de todas as etapas da atividade e, com isso, ajudá-los no planejamento”, diz Yanaguizawa. O Cepea recebe a atende a demandas de produtores interessados em receber o Campo Futuro na sua região.

Custo de produção do leite

A análise do custo de produção de leite auxilia na organização e controle do sistema de produção, permite a análise da rentabilidade e indica custos que podem ser reduzidos. O custo de produção de leite pode ser dividido em variáveis e fixos:

• Custos variáveis: dependem da quantidade de leite produzida e, se o processo de produção for interrompido, deixam de existir. Exemplos: mão de obra, alimentação do rebanho, reprodução, medicamentos.

• Custos fixos: são independentes da quantidade de leite produzida. Exemplos: depreciação de máquinas/benfeitorias, animais, implementos, seguro, impostos.

 

Fonte: Mundo do Leite

Tecnologia retém produtor no campo

Acesso a software aplicado em mais de 200 propriedades influenciou opção pelo campo.

Após identificar a gestão como uma das principais necessidades da atividade leiteira, o estudante Dionatan Hamester, 23 anos, desenvolveu uma ferramenta para ajudar o produtor a tomar decisões. Foi assim que nasceu, há cinco anos, a Control Milk, uma startup com sede em Teutônia que fornece relatórios zootécnicos, financeiros e gráficos da criação e ordenha. O sistema usa dados históricos, avalia padrões de produção, detecta problemas a serem resolvidos preventivamente e apontando datas corretas para reprodução, alertando o produtor para não esquecer do período recomendado.

Graduando em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pela Univates e sem ligação com o campo, Hamester uniu-se ao sócio Vilson Mayer, formado em Ciências Agrárias, para criar o programa, que hoje está em mais de 200 propriedades dos três estados da região Sul e na Bahia. A ferramenta também tem despertado o interesse de cooperativas que podem fazer a tecnologia chegar à propriedade rural.

Usuário do software, o produtor de leite, Diego Dickel, 22 anos, de Teutônia, afirma que a possibilidade de acesso à tecnologia na propriedade pesou na opção que fez por permanecer no campo. “Consigo ver exatamente o período de lactação e verificar bem a previsão de parto, por exemplo”, explica.

Família Dickel, de Teutônia, utiliza aplicativo para controlar custos e sanidade.

Família Dickel, de Teutônia, utiliza aplicativo para controlar custos e sanidade.

 

Fonte: Correio do Povo Rural – Domigo, 6 de Dezembro de 2015. Edição: 1690


A Control Milk – Tecnologia e Informação, parabeniza o trabalho realizado pela família Dickel.

Produtor de leite cria alternativa para reduzir gastos

Canal Rural

Com o aumento do preço do leite e dos custos de produção, produtor faz uma substituição na dieta das vacas e consegue manter a produção mesmo reduzindo os gastos

Para assistir ao vídeo: Clique Aqui

Fonte: Canal Rural


 

Absolutamente todos os produtores de leite do Brasil enfrentam o mesmo desafio, aumentar o lucro e diminuir os custos. Como irão conseguir isso? Sendo eficientes em todo o sistema produtivo.

A Control Milk lhe auxilia a ser eficiente na produção de leite. Quer saber como, acesse: www.controlmilk.com.br

Control Milk – Reprodução

Startup de Teutônia cria sistema para melhorar gestão de produtores de leite

Melhorar a qualidade do leite e aperfeiçoar a gestão das propriedades produtoras são os principais objetivos da Control Milk, startup sediada em Teutônia, no Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul. Operando desde 2012, a empresa desenvolveu um sistema gerencial integrado que facilita a coleta de dados por cooperativas e cooperativados, permitindo o acompanhamento do desempenho zootécnico e financeiro das propriedades leiteiras.

Control Milk startup teutônia RS (Foto: Control Milk/Reprodução)

Ferramenta web traz gráficos sobre produção do rebanho (Foto: Control Milk/Reprodução)

Presente em fazendas nos três estados da região Sul do Brasil e na Bahia, a Control Milk também pretende fomentar a sucessão familiar. Com filhos e netos de produtores indo para a cidade atrás de estudo, muitos optam por não voltar. Mas a mudança desse cenário também exige uma outra visão da parte de quem trabalha no campo, afirma Dionatan Hamester, 23 anos, sócio da startup. Ao lado dele, está o engenheiro agrônomo Vilson Roque Mayer, com mais de 17 anos de experiência na área.

“Ainda existe a mentalidade de que quem fica sentado no computador fazendo a gestão da propriedade não trabalha, é vagabundo. Mas não é. Uma boa gestão identifica gargalos da produção e aumenta a lucratividade”, explica o estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Para incentivar os jovens a tocarem as fazendas, a empresa trabalha em parceria com a cooperativa gaúcha Languiru, onde busca “provar que a produção familiar é uma atividade rentável, se gerida adequadamente”, complementa.

Benefícios nas duas pontas
Talvez o principal problema das propriedades seja o amadorismo da gestão, geralmente feita em cadernos ou em planilhas de Excel. A dificuldade se dá no cruzamento dos dados. Com as ferramentas da Control Milk, o produtor tem acesso a relatórios que avaliam essas informações. “O sistema faz a gestão zootécnica, indicando quando fazer a reprodução. Faz também a gestão sanitária, apontando a época das vacinações obrigatórias”.

Control Milk startup teutônia app aplicativo RS (Foto: Control Milk/Reprodução)

Control Milk também tem app para dispositivos móveis (Foto: Control Milk/Reprodução)

A organização desses dados gera ganhos financeiros, garante Hamester. “As propriedades leiteiras costumam ter outra produção, como aves, suínos ou lavoura, mas não fazem a divisão de custos de cada ramo. Nossas ferramentas melhoram a tomada de decisões”, garante.

Para as cooperativas, fica mais fácil cruzar dados e, então, constatar quais cooperados têm mais qualidade e que regiões produzem mais e melhor. Assim, elas podem identificar e auxiliar rapidamente quem está com problemas.

Como o sinal de internet nem sempre é bom nas zonas rurais brasileiras, a reunião dos dados eventualmente necessita de uma coleta direta. “O aplicativo funciona offline. Nesse caso, a cooperativa visita o cooperado e pega os dados do computador com um pendrive. Se a propriedade tiver internet, o produtor pode enviá-los”, explica Hamester.

Fonte: G1 – Novos Futuros

Pecuaristas de leite investem em planejamento e aumentam os lucros

O Brasil tem mais de um milhão de produtores de leite. Todos enfrentam um mesmo desafio: aumentar o lucro, diminuindo os custos. O sucesso do produtor depende cada vez mais de uma boa gestão e de tecnologia.

Josimar Fernandes, de 28 anos, chegou a trabalhar na cidade numa fábrica de tecidos, mas voltou para roça e disposto a mudar a produção de leite da família. O sítio de 23 hectares em Juiz de Fora, Zona da Mata de Minas Gerais.

“A produção era de 15 litros por dia, de 15 a 20 litros por dia, tirava leite uma vez só e nada mais do que isso”, fala Josimar.

O salto na produção veio quando ele foi buscar assistência técnica. Há quatro anos, Josimar começou a trabalhar com inseminação artificial para melhorar a genética dos animais  e investiu no pastejo rotacionado. Quando chove bem, não falta o capim verdinho. Para época de seca, a ração no cocho complementa a alimentação do rebanho de 23 vacas. Dezenove em lactação.

A mudança de manejo que o Josimar se reflete na ordenha. Hoje ele consegue 380 litros de leite por dia, 20 litros por animal. Bem diferente dos quatro ou cinco litros que as vacas produziam quando ele assumiu o sítio. A ordenha, agora mecanizada e duas vezes ao dia, foi outra melhoria que o Josimar conseguiu implantar. “Tecnologia sem medo, sem dúvida, foi o mais ajudou”, afirma Josimar.

O agrônomo Frederico Carvalho orienta e controla todos os custos da produção. Está tudo no papel. Os resultados, comparando o que foi investido com o que o Josimar tirou de lucro, são surpreendentes. “O Josimar hoje tem um retorno de 47% se considerarmos apenas os custos de produção do leite”.

Desempenhos como o do Josimar chamam atenção da Embrapa Gado de Leite. Os técnicos acompanham os custos de produção de cooperados que atendem laticínios de Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul e pelos resultados desse trabalho, produzir leite no último ano rendeu bem mais do que muitas aplicações financeiras.

Em 2014, a Bolsa de Valores de São Paulo fechou com resultado negativo de quase 3%. Quem aplicou em poupança teve rendimento de 7% no acumulado do ano passado. Já o dólar valorizou pouco mais de 13%, e o ouro 14%. Já entre os produtores de leite pesquisados pela Embrapa, teve gente que conseguiu quase 24% de retorno sobre o capital investido.

Para o diretor da Embrapa Gado de Leite, Paulo do Carmo, o resultado dessa pesquisa não pode servir de base para toda a cadeia produtiva do leite, mas pode ensinar muita coisa para quem ainda patina no negócio.

“Quando a gente afirma que tem produtor que está ganhando o dobro de dólar e ouro, não significa dizer que todos os produtores do Brasil ganharam muito dinheiro, ao contrário, boa parte dos produtores que perdem dinheiro está relacionado à falta de gestão”, fala.

O segredo para se conseguir um bom resultado, segundo o  diretor da Embrapa é um só: planejamento.

“É ver o leite como uma atividade que tem que ser administrada e intensivamente administrada. Quem leva em consideração as tecnologias e leva em consideração, sem dúvida alguma, as variáveis econômicas, o que entra e o que sai, acaba ganhando dinheiro no leite”, avisa Paulo.

Enxergar a produção como um negócio também foi o que fez do casal Vivian e Wagner Canabrava. Eles têm quatro funcionários para cuidar de um rebanho de 212 vacas, entre recrias e de leite, em um sítio em Juiz de Fora, Minas Gerais. As 90 que estão em lactação produzem dois mil litros de leite por dia. Em 2012, cada vaca produzia 15 litros/dia. Hoje, esse número chega a 22 litros.

“Investimos em genética, alimentação de qualidade, mão de obra mais qualificada”, conta Viviane.

No último mês, eles tiraram R$ 1,10 pelo litro do leite, dez centavos a menos do que na mesma época do ano passado.

A comida para as vacas representa 50% do custo de produção da fazenda. Para continuar mantendo os lucros, os donos estão investindo em tecnologia e já conseguiram reduzir custos.

Uma máquina foi comprada em 2014 através de financiamento que vai ser pago em sete anos. Ela faz a mistura de todos os ingredientes da silagem e despeja no cocho na medida certa para cada lote do rebanho. A partir deste investimento, a produção de leite cresceu 15%, além da redução com a mão de obra.

Genética, manejo, contas na ponta do lápis. É um conjunto de práticas. Com tudo sob controle, a hora da ordenha é só alegria para Vivian.

“Pra gente que é produtor, aquilo é uma realização, aquele coletorzinho cheio de leite, você acredita que é um frutinho que você está colhendo”, conta Viviane.

O Cepea (Centro de Estudos de Economia Aplicada da  Esalq e USP) divulgou  novos dados do leite essa semana. A média-Brasil do litro pago ao produtor em abril foi de R$ 0,89. É o segundo mês seguido de alta e essa tendência de alta deve continuar por causa da entressafra.

Fonte: G1 – Cristina Vieira