Lucro no fim do ano é mais importante que margem por litro

No mercado leiteiro, muitas vezes, os produtores se preocupam mais com a margem por litro do que com o lucro no final do ano. Para o zootecnista Christiano Nascif, este tipo de pensamento, muitas vezes rotineiro, é errado e pode prejudicar os produtores.

“É melhor se ter uma margem menor por litro sobre um volume de leite maior, do que uma margem por litro maior sobre um volume de leite inexpressivo”, explicou o zootecnista durante o encontro Dia de Mercado de Leite, em Sergipe, realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Sergipe (FAESE). As informações são do jornal A Tribuna Mato Grosso.

Durante o evento, Nascif explicou a importância do gerenciamento de propriedades de leite para o produtor.

“Aumentar a produção e a produtividade do rebanho é relativamente fácil, difícil é fazer o produtor de leite ganhar dinheiro de forma sustentável. Portanto a gestão correta dos recursos produtivos faz com que o empresário rural seja eficiente na exploração dos fatores que mais pesam na composição dos custos de produção, que são a mão de obra, concentrados e volumosos”.

Na visão do zootecnista, uma das metas que se deve ter para atingir uma produção eficiente é “produzir mais e melhor com menos”. Para o profissional, o lucro do produtor dependerá do gerenciamento eficiente.

“Gerenciamento econômico financeiro é fundamental em qualquer atividade. Devemos entender que os indicadores técnicos são os meios, o fim é o produtor colocar mais dinheiro no bolso. Para isto a gestão econômico-financeira deve considerar as receitas e os custos, não somente um ou outro. Não se deve buscar o aumento da receita a qualquer custo e nem a redução de custos de qualquer maneira. Há produtores que acham que gerenciar custos é gastar quase nada, grande engano. Sempre devemos lembrar que custo mínimo não se equivale a lucro máximo. A gestão eficiente de qualquer negócio deverá ter como meta o lucro máximo e não o custo mínimo”.

Fonte: Associação Brasileira de Zootecnistas

Minha fazenda dá lucro? E quanto pode me pagar?

Consultor ensina a fazer levantamento de custos na propriedade e calcular pro labore do proprietário

Receitas x Despesas

Receitas x Despesas

A chamada “conta de padaria”, em que apenas se subtraem as despesas da receita, está longe de atender às necessidades de gestão econômica de um empreendimento, qualquer que seja; e muito menos determinar qual a sua rentabilidade e o valor do pro labore do proprietário. No caso de uma fazenda de pecuária, por exemplo, muitos fatores interferem no resultado. “É preciso ir mais fundo, não dá para parar por aí”, diz Dalmo Machado, zootecnista e co-fundador da Suporte Consultoria Pecuária. Em suas andanças por propriedades Brasil afora, ele conta que não raro precisa partir das bases para organizar as finanças das fazendas.

Nesses casos, seu primeiro passo é definir de que tipo de negócio pecuário está tratando. “Se for uma fazenda de cria, por exemplo, eu sei que a saída de produtos se dá no momento da desmama. Sei que há venda de machos e de excedente de fêmeas, e que o produtor fica com parte delas para reposição de matrizes”, diz. Com um modelo claro na cabeça, é viável fazer planejamentos de longo prazo e propor desvios na rota. “O modelo não precisa ser engessado. Uma fazenda de cria pode vender matrizes se o preço desses animais subir. O que não dá é para mudar de estratégia todo ano”, afirma o zootecnista.

Tendo nítida qual a sua atividade, o pecuarista deve fazer um levantamento patrimonial, que nada mais é do que uma relação de todos os bens da fazenda e seu respectivo valor, à exceção da terra. Entram aí precificação de benfeitorias: casas, galpões, curral, cocho – tudo que for infraestrutura. De itens com motor: caminhonete, moto, trator, máquinas em geral. De implementos: roçadeira, guincho, grade. De equipamentos: motosserra, jogo de ferramentas, freezer, geladeira, ar-condicionado. “A venda desse patrimônio geraria um valor X e é sobre ele que se aplicam fórmulas para calcular a manutenção e depreciação”, diz Dalmo. Ambos os valores devem, obrigatoriamente, entrar no custo anual das fazendas, sendo recomendado ao produtor com menos familiaridade com o assunto buscar assistência técnica.

“A depreciação, eu costumo dizer, é um valor fantasma que bate à porta quando você precisa trocar aquele trator velho”, lembra Dalmo, e ele explica por que.“Vamos supor que eu comprei uma máquina lá atrás por R$ 100 mil. Hoje, com dez anos de uso, ela vale 40% disso, vale 40 mil. Isso quer dizer que a cada ano eu deveria ter economizado R$ 6 mil para ter os R$ 60 mil que se perderam com a desvalorização”. Em resumo, a depreciação é quanto você precisa poupar para restituir o bem ao final de sua vida útil. O exemplo é ilustrativo, mas ajuda a entender por que a depreciação é uma peça chave no levantamento de custos da propriedade. Somada a ela vem, claro, a manutenção – gasto que faz com que os bens se conservem até o momento da troca. Atualizações nos valores dos bens podem ser feitas ao longo do tempo para corrigir preços e acompanhar o desenvolvimento do mercado.

Feito o levantamento patrimonial e aplicado sobre ele gastos com depreciação e manutenção, é preciso checar outros custos, como os variáveis que, por sua vez, estão ligados à atividade pecuária em si e mudam conforme o tamanho do rebanho. A esses custos é dado o nome de desembolsos (as famosas “despesas”). Abaixo, o que não pode ficar de fora da sua planilha de controle:

– Impostos: considerando que o produtor seja pessoa física, os mais comuns são o Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) e o Imposto de Renda (IR). De acordo com o estado, podem haver outros.

Sendo pessoa jurídica, há ainda encargos diferentes, como a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

– Assessoria: se enquadram neste item a prestação de serviços esporádicos por médicos-veterinários, agrônomos e zootecnistas. Escritórios de contabilidade, mais comumente, e de advocacia, quando necessário, também estão sob o mesmo chapéu.

– Custos com infraestrutura: abarcam contas com energia, telefone, internet, combustível e também gastos da sede (com alimentação, limpeza).

– Suplementação do rebanho: dependendo da prática de cada fazenda, pode corresponder a custos com sal mineral, proteico-energético ou ração concentrada.

– Gastos com a pastagem: no geral, adubação e limpeza.

– Sanidade: dividido em três, contempla gastos com vacinas, vermífugos e medicamentos de rotina.

– Reprodução (item levantado em propriedades de cria, não se aplica a fazendas de recria e engorda): agrega custos com reposição de touros, inseminação artificial, geralmente anuais, sêmen e hormônios.

– Mão de obra/Recursos Humanos: são os custos com folha de pagamento, ou seja, com profissionais registrados.

Nesse tópico não entram gastos com a figura do empreiteiro, que tem seus próprios funcionários e geralmente presta serviço de manutenção ao produtor. “Quando conserta uma cerca, o pecuarista que calculou depreciação e manutenção tem reservado aí não só o valor do material, mas também da mão de obra, que está prevista no cálculo”, explica Dalmo. Daí a importância de não registrar esse custo uma segunda vez, para que não fique duplicado.

– Pro labore: último item da lista, é a margem líquida anual que a fazenda pode gerar para o proprietário. Para obtê-la basta subtrair da receita o custo operacional total (depreciação + manutenção + desembolsos) anuais. Dividindo o valor final por 12, o produtor chega ao teto para o seu pro labore mensal. Obviamente, parte desse recurso será reinvestido na propriedade.

“Com todos esses dados, é possível que o pecuarista note que tem maquinário de mais considerando o tamanho do seu rebanho. Ou chegue à conclusão de que vale a pena terceirizar uma atividade a adquirir implementos para sua realização”, afirma Dalmo. Diagnóstico técnico e econômico, o levantamento de custos tem por objetivo fornecer um raio-X das finanças da fazenda e ajudar a identificar problemas que passam despercebidos no dia a dia. O resultado é a melhoria da gestão, seja reduzindo gastos desnecessários ou direcionando estrategicamente os recursos.

 

Fonte: Portal DBO

Gerenciamento financeiro da Propriedade Leiteira

A economia brasileira vive um momento de incerteza, muito se fala em crise e a atividade leiteira também está sendo afetada através da elevação dos custos de produção. É percebido que os custos fixos estão se elevando, sendo que, em algumas propriedades esses custos estão sendo superiores aos custos de alimentação, visto que no passado se falava em o maior custo na produção de leite era a alimentação.

Toda crise pode trazer oportunidades. Cabe ao gestor do negócio superar as dificuldades, tornar-se mais eficiente, cortar gastos desnecessários, eliminar as incompetências e perpetuar o negócio.

Toda propriedade leiteira deve ser administrada como uma empresa, pois o capital aplicado é alto e a remuneração deste capital nem sempre é satisfatória.

O gerenciamento é muito importante, principalmente quando a propriedade rural desempenha mais de uma atividade. É muito importante separar o real custo e a real lucratividade de cada atividade desenvolvida.

A produção de leite precisa, cada vez mais, ser profissionalizada, pois é sabido que as margens de lucro da atividade tem sido historicamente menores. O mercado dita o preço da venda do leite e de compra dos insumos, resta, então, ao produtor ser eficiente no gerenciamento interno da propriedade. Dentro desse contexto, adotar um sistema de avaliação de desempenho é fundamental.

Em um sistema de gerenciamento de uma propriedade leiteira, muitas são as variáveis a serem administradas, porém, necessárias. Vários índices devem ser avaliados.

Índices Zootécnicos: produção total de leite, produção individual de leite, produção das vacas de primeira lactação, idade do primeiro parto, distribuição dos partos, tempo de lactação, percentual de vacas secas, taxa de prenhes, numero de inseminação por prenhes, retorno ao cio, reposição de animais, descartes, taxa de mortalidade, numero de animais jovens, consumo de alimento concentrado e volumoso, entre outros.

Índices Econômicos: Remuneração do capital, depreciação, juros, investimentos, manutenção, reposição de equipamentos, energia elétrica, mão-de-obra, lucratividade, crescimento, perdas, entre outros.

A avaliação desses índices é muito importante para definir se a propriedade está equilibrada, pois muitas vezes falta dinheiro no final do mês, porque tem um setor da atividade que está custando mais que o recomendado.

É muito importante traçar metas e saber aonde cada propriedade quer chegar. O gerenciamento serve para dar subsidio na tomada de decisões e avaliar se as metas foram realizadas e quando não realizadas, fornecer orientação para um novo direcionamento das metas e entender porque não se atingiu o objetivo.

Administradores que implantam um sistema de gerenciamento em suas propriedades, passam a ver a atividade de outro ângulo, percebem que nem sempre o preço do leite e dos insumos são responsáveis pela baixa rentabilidade e a ineficiência em algum ponto leva parte dos lucros.

 

Jones Fernando Gay

Médico Veterinário

 

Fonte: Folha Agrícola – Fevereiro 2016

Leite, excelente negócio

Com tecnologia e gestão, pecuária leiteira pode ser comparada e ultrapassar ganhos de várias outras atividades tidas como lucrativas

Fernanda Yoneya
 

Leite, excelente negócio

Foto:Luiz Prado Sistema criado pela Embrapa a é eficiente, simples e barato

Dos 5.570 municípios brasileiros, só 62 não produziram leite em 2014. Das capitais, apenas São Paulo e Belo Horizonte, segundo informações do IBGE. “Isso significa que, na maioria dos municípios do País, o leite é uma das três principais fontes de geração de emprego e renda, fato que levou a um faturamento da cadeia produtiva de lácteos de R$ 76,9 bilhões em 2014. Portanto, 1,4% do PIB”, resume o economista Paulo do Carmo Martins, chefe-geral da Embrapa Gado de Leite. Os números do IBGE e de Martins indicam o alcance da produção de leite no Brasil e trazem um desafio: fazer com que os pecuaristas invistam cada vez mais na gestão do negócio para garantir lucro na atividade. Hoje, porém, uma boa gestão do negócio não se limita a uma administração racional da propriedade – como ter os custos de produção na ponta do lápis –, mas inclui o aperfeiçoamento técnico da atividade a fim de torná-la eficiente.“As propriedades que têm obtido lucro com o leite são aquelas que possuem boa gestão tecnológica e econômico/financeira. Não adianta produzir muito leite, ser eficiente tecnicamente e o produtor não ganhar dinheiro. Indicadores de performance técnica são os meios; o fim é o dinheiro no bolso do produtor com sustentabilidade”, diz o zootecnista Christiano Nascif, que atua como consultor há 20 anos da Labor Rural. Nascif explica que, quando o produtor opera no índice “ótimo econômico” do sistema de produção obtém maior lucro. Mas que nem sempre operar no máximo produtivo da atividade significa ganhar mais dinheiro. “É importante dar prioridade a sistemas flexíveis de produção, que permitem ajustar com maior facilidade e rapidez os custos de produção em relação às receitas.”

Neste caso, é imprescindível ter todos os gastos na ponta do lápis e conhecer profundamente a propriedade e suas condições para ser possível colocar na balança custos e receitas e adaptar um item ao outro. “Sistemas equilibrados entre ótimo econômico e produtivo e flexíveis e a otimização dos fatores de produção, buscando a maior eficiência na utilização da terra, mão de obra e animais são os pilares do sucesso na atividade, isso tendo como pano de fundo uma eficaz gestão técnica e econômico/financeira.”

No caso da pecuária leiteira, os preços do leite em níveis historicamente melhores em 2013 levaram a maiores investimentos na atividade naquele ano. Os reflexos foram sentidos na produção de 2014. Segundo o Índice Scot Consultoria de Captação de Leite, o volume do produto aumentou 10,2% em 2014 em relação a 2013, mas a demanda não cresceu no mesmo ritmo, o que produziu excedentes e pressionou todos os elos da cadeia. “As margens de lucro para o pecuarista se estreitaram. A rentabilidade média da pecuária leiteira de alta tecnologia foi de 7,9% em 2014, frente a 10,1%, em média, em 2013, uma queda de 2,2 pontos porcentuais”, diz o zootecnista Rafael Ribeiro de Lima Filho, consultor de mercado da Scot Consultoria, que desde 1994 acompanha o mercado leiteiro. Apesar da queda, diz o consultor, o resultado foi positivo, superando os investimentos em cadernetas de poupança e arrendamento para a produção cana, por exemplo.

Culturas como soja e milho (anuais), conforme a consultoria, tiveram rentabilidade de 2,5% em 2014; em 2013, ficou em 3,5%. Já a rentabilidade média do arrendamento em regiões de cana caiu de 7,6% em 2013 para 4,5% em 2014. “Prova disso é que o leite tem se destacado em regiões onde a terra está cara e atualmente ocupadas com soja, milho, suinocultura e avicultura”, diz o chefe-geral da Embrapa Gado de Leite. Segundo ele, a atividade leiteira continua crescendo, por exemplo, na região que vai de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, a Cascavel, no Paraná; no Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e leste de Goiás; e na região que sai de Belo Horizonte rumo ao sertão mineiro. O zootecnista Nascif avalia que a atividade tem crescido de forma consciente no Brasil. “Os produtores que estão aumentando o volume de produção estão fazendo isso sobre bases sustentáveis. As vacas dos produtores que estão saindo da atividade não vão para o frigorífico, e sim para a fazenda de outros produtores que têm obtido sucesso na atividade leiteira.”

Ainda segundo a Scot, registraram menor rentabilidade que o leite de alta tecnologia em 2014 atividade de cria com aplicação crescente de tecnologia (2,4%), atividade de ciclo completo com baixa tecnologia (2,3%), atividade de recria e engorda com baixa tecnologia (0,7%) e produção e fornecimento de cana-de-açúcar (-1,4%). Para Rafael Ribeiro, da Scot, o investimento e a aplicação de tecnologia na propriedade buscando a melhoria dos índices produtivos e ganhos em escala têm sido a “chave do sucesso” não só na pecuária de leite. Em 2014, compara Martins, da Embrapa, a inflação oficial acumulada de janeiro a dezembro foi de 6,4%. Nesse período, quem aplicou na bolsa perdeu dinheiro. “Afinal, o Ibovespa, que é a medida da valorização média das ações, teve resultado negativo e foi de -2,9%.” Quem aplicou em poupança também pouco ganhou, pois o rendimento foi de 7,1% no acumulado do ano. Já o dólar e o ouro se valorizaram 12,2% e 12%, respectivamente. “Quem ganhou dinheiro, mesmo, foi quem produziu leite.”

Para comprovar sua “tese”, ele conta que acompanhou o desempenho de produtores ligados à Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR)/Itambé e encontrou produtores que conseguiram até 23,8% de retorno sobre o capital investido em 2014. “Tudo isso considerando todos os custos e capital imobilizado, desconsiderando apenas o investido em terra, já que terra é um ativo que se valoriza. Inacreditável esse desempenho. Então, sob a ótica individual, é claro que leite é bom negócio”, afirma. Para se ter ideia da importância de uma boa gestão financeira e tecnológica para o lucro da atividade, a pecuária de leite de baixa tecnologia, ainda segundo levantamento da Scot, deu prejuízo, com rentabilidade negativa de 3,8% em 2014, ante -3% em 2013. “Entre todas analisadas, foi a atividade com o pior desempenho no ano passado.”

O consultor diz que pecuária leiteira de “alta tecnologia” corresponde a uma produção de 25 mil litros/hectare/ano; já a de “baixa tecnologia” consiste em volume de 1.500 litros/hectare/ano. Além disso, contam itens como mão de obra, gestão da propriedade e assistência técnica. O cálculo das rentabilidades médias abrange dados de SP, MG e PR. “Os números mostram a maior capacidade do produtor que trabalha com aplicação crescente de tecnologia em lidar com cenários de crises e quedas nos preços”, diz. “Como qualquer atividade, seja urbana ou rural, há empresários que ganham dinheiro e outros que perdem, portanto há produtores de leite que têm obtido lucro com a atividade leiteira. As comparações entre as rentabilidades de diferentes negócios devem ser feitas considerando os mesmos níveis de eficiência. Deve-se comparar produtores de leite eficientes com os de outras atividades eficientes, e ineficientes com ineficientes”, explica Nascif.

Em média, calcula, considerando só os custos variáveis da atividade, estes estão comprometendo 76% do preço recebido pelo leite. Se forem considerados os custos totais, comprometem 91% do preço recebido pelo leite, segundo o consultor. “Há produtores que têm uma eficiência maior na gestão de custos, onde os custos variáveis comprometem 67% e os custos totais 80% sobre o preço do leite recebido pelo produtor. Obviamente, há produtores que não são eficientes, que comprometem 97% do preço recebido para pagar os custos variáveis; já para os custos totais comprometem 116%, ou seja, estão perdendo dinheiro”, afirma Nascif, citando dados coletados em grupo de 400 produtores participantes do Projeto Educampo, do Sebrae de Minas Gerais, no período de março de 2014 a abril de 2015. O projeto do Sebrae busca, por meio da capacitação gerencial e técnica de produtores rurais, desenvolver aspectos de gestão da propriedade, tornando-os mais eficientes e competitivos.

A análise do custo de produção de leite auxilia na organização e no controle do sistema de produção, permite a análise da rentabilidade e indica custos que podem ser reduzidos. O custo de produção de leite pode ser dividido em variáveis e fixos. Os custos variáveis são aqueles que dependem da quantidade de leite produzida e, se o processo de produção for interrompido, deixam de existir. Por exemplo mão de obra, alimentação do rebanho, reprodução, medicamentos. Já os custos fixos são aqueles independentes da quantidade de leite produzida – depreciação de máquinas, benfeitorias na propriedade, animais, implementos, seguro e impostos.

O consultor destaca ainda a importância da mão de obra como parte da “estratégia” de obter lucro com a atividade leiteira. “Mão de obra é um dos itens que mais pesam no custo de produção. Portanto, aumentar a produtividade da mão de obra é uma saída para diminuir os custos.” Produtores com produtividade da mão de obra baixa, de 286 litros/dia/homem, comprometem 15% da renda bruta da atividade leiteira para pagar funcionários. Já produtores mais eficientes obtêm índices de 390 litros/dia/homem (comprometimento de 11,6% da renda com mão de obra) e até 490 litros/dia/homem (9% de comprometimento da renda com trabalhadores).

“Ter boa gestão na atividade leiteira equivale a saber administrar a sua empresa com sucesso, obtendo lucro com sustentabilidade. E as melhores tecnologias são aquelas que forem mais apropriadas a cada sistema de produção, sempre buscando aumentar a produtividade da terra, da mão de obra e das vacas. Ser eficiente é produzir mais e melhor com menos. Daí, quanto menos capital imobilizado na atividade e mais leite com maior renda, melhor.”

Há três anos na atividade leiteira, o produtor Armando Rabbers, da propriedade Genética ARM, em Castro, PR, diz que só passou a se considerar “realmente um produtor de leite” depois que passou a investir em tecnologia. “Nos tempos de hoje, para termos eficiência de produzir no nosso ramo, é preciso de muita gestão e planejamento, o que fazem a diferença na lucratividade da fazenda. Temos que ter planejamento de quantos hectares precisamos plantar de forragens e escolher as melhores cultivares; montar um cronograma de vacinações e tratamentos, treinar constantemente os colaboradores, pois inovações tecnológicas estão avançando e mudando os conceitos de produzir; e, de forma consciente, saber o que queremos da atividade”, diz o produtor.

Com 135 vacas em lactação, 29 vacas secas e 155 animais jovens, Rabbers obtém, em média, 36,5 litros/vaca, a um custo entre R$ 1,02 e R$ 1,05/litro. “No último mês recebemos R$ 1,10”, conta. A ordenha, 100% mecanizada, tem capacidade de ordenhar 140 vacas por dia. Com experiência na suinocultura – ele produz quase 2.000 suínos de engorda – Rabbers afirma que o segredo para ter lucro no leite é investir em produtividade e, principalmente, em qualidade, o que garante a “bonificação” da cooperativa onde entrega seu produto. “Acredito muito nessa atividade.”

Fonte: Mundo do Leite

É tempo de se planejar

Pecuarista deve saber, na ponta do lápis, como, quando e por que o seu dinheiro está sendo usado

 

Início de ano é época propícia para o produtor de leite planejar atividades da propriedade e definir estratégias a serem adotadas ao longo dos próximos meses. Mas um bom projeto a médio ou longo prazos depende de uma boa organização do pecuarista, principalmente no que se refere a saber “onde se está” e “aonde se quer chegar”. Saber “onde se está”, o primeiro passo de um planejamento estratégico, significa fazer o “inventário” dos recursos disponíveis, isto é, avaliar área disponível, instalações, rebanho (todas as categorias), alimento (pasto, concentrado, Rebanho passa por revisão periódica suplementação), mão de obra e máquinas e equipamentos. Na outra ponta, deve estar a meta pretendida para a propriedade.

 

“Planejar é projetar um trabalho ou serviço, determinar as metas da atividade e avaliar todos os recursos necessários para alcançá-la. Na pecuária leiteira, o primeiro ponto a ser considerado é uma análise detalhada do que realmente se tem ou do que se pretende ter”, afirmam os pesquisadores da Embrapa Gado de Leite Rosangela Zoccal e José Luiz Bellini Leite. “Planejamento requer saber onde se está (inventário da propriedade) e aonde se quer chegar (meta estabelecida). Tendo o ponto de partida (situação atual mostrada no inventário) e o ponto de chegada (situação desejada), um caminho lógico se apresenta”, dizem os pesquisadores.Antes de decidir sobre qualquer mudança, é importante que o produtor tenha em mãos os indicadores de desempenho zootécnico e econômico da atividade, o que se pode conseguir com a prática simples de tomar nota desses dados. Planilhas podem armazenar, de forma organizada, informações sobre os principais indicadores de desempenho zootécnico, como produção diária de leite; número de vacas em lactação e total de vacas; produção por vaca em lactação (litros/vaca em lactação/dia); produtividade da mão de obra (litros/funcionário/dia); produção por área de pastagem (litros/hectare); consumo de concentrado por litro de leite (quilos/litros), além de índice de fertilidade dos animais (do total de fêmeas cobertas, quantas ficam prenhes); índice de natalidade (proporção de bezerros nascidos em relação a fêmeas em produção); taxa de mortalidade e índice de animais descartados.

Entre os produtores, a Embrapa Gado de Leite tem difundido o conceito de gestão como a administração de tudo o que deve ocorrer na propriedade para a realização do que foi planejado. Por isso as anotações das informações zootécnicas e financeiras são fundamentais para se conhecer, administrar e tomar decisões e, nesse caso, a dica dos pesquisadores é procurar a melhor forma possível de fazer essas anotações. “Há vários tipos de planilha que podem ser utilizadas, que são as mais indicadas porque é grande a quantidade de informações que devem ser consideradas em um sistema complexo como a produção de leite. Quanto mais detalhada for a informação, mais fácil de se avaliar a atividade. O importante é anotar os dados de forma correta”, ensinam.

Segundo eles, o ideal é ter um planejamento de médio prazo (três anos), estabelecendo metas, e um de curto prazo (um ano), em que seria detalhado o que será realizado a partir do início do ano para se obter a meta estipulada. “Se o que foi planejado não for realizado, pode-se fazer o mesmo exercício considerando fevereiro como mês de partida e daí projetar os trabalhos, considerando que a atividade leiteira é contínua, não para durante o ano”, recomendam Rosangela e José Luiz.

Uma boa gestão é aquela que contribui para a obtenção das metas estabelecidas e com o menor custo possível. O primeiro passo para isso é ter informação para a tomada de decisão envolvendo índices zootécnicos e econômicos da propriedade e acompanhamento das informações de mercado. No mercado existem programas de informática que ajudam na coleta e organização dos dados.

“Além de produzir bem e com o menor custo possível, é importante lembrar que, como o leite é um produto perecível e de difícil estocagem, o produtor não tem muita margem de negociação no preço de venda, por isso a preocupação de produzir ao menor custo é essencial e, neste ponto, a compra dos insumos em parceria com outros produtores ou em conjunto com cooperativas é favorável.”

Segundo os pesquisadores da Embrapa, o cálculo de quanto custa produzir o leite ajuda a definir as metas e corrigir distorções na propriedade.

Basicamente, o produtor pode trabalhar com três indicadores: renda total; margem bruta e margem líquida ou lucro. A renda total é o valor obtido com a venda do leite, a venda de animais e o esterco. A margem bruta é o valor da receita total menos o custo operacional efetivo (não considera despesas como depreciação de maquinário e equipamentos). “Se o resultado for positivo, significa que o produtor cobre todo o desembolso realizado no período. Pode indicar a sobrevivência, pelo menos a curto prazo. Se o resultado da margem bruta for negativo, a atividade está antieconômica e não paga os gastos realizados”, afirmam os pesquisadores. A margem líquida é a receita total menos o custo operacional total. Se o resultado for positivo, a atividade está estável, com possibilidade de expansão e sobrevivência no longo prazo.

Se for negativo, a condição do produtor é crítica para a sobrevivência no longo prazo, porque não está conseguindo remunerar os custos fixos. Se o resultado for zero, indica que a atividade está no ponto de equilíbrio e em condição de refazer o capital fixo no longo prazo”, dizem os pesquisadores da Embrapa.

Gestão

Critérios como crescimento ou estabilização da fazenda, aumento ou não de pastagens, aquisição de equipamentos e máquinas, melhoria das instalações, descarte ou compra de animais só fazem sentido quando há metas a serem atingidas. De outra forma, afirmam, as decisões tomadas têm como propósito “apagar incêndio” – quando a máquina quebra ou quando as instalações começam a se deteriorar, por exemplo. “A meta para as propriedades produtoras de leite deve ser econômica e, com base nela, projeta-se o que será preciso para alcançá-la, em termos de recursos – animais, terras, mão de obra, máquinas e equipamentos, instalações – necessários.”

Normalmente, o item que representa o maior custo na atividade leiteira é a alimentação do rebanho. Com isso, é imprescindível ter em mãos indicadores que permitam medir a eficiência do sistema de produção, como a taxa de lotação das pastagens, que é resultante do número de vacas em lactação dividido pela área (em hectares) destinada a essa categoria, e a produtividade das pastagens, que é a produção anual de leite em relação à área total do sistema produtivo. “Em muitos casos, o que se precisa é recuperar as pastagens ou realizar uma adubação, e não aumentar a área”, dizem os pesquisadores. Uma dica para evitar gastos desnecessários é buscar uma referência do potencial do solo obtido na região. “A alimentação é o item de maior impacto nos custos da produção de leite. Estabelecer uma estratégia alimentar do rebanho, com orientação técnica competente é o caminho mais adequado.”

Para os pesquisadores da Embrapa, hoje não basta mais os produtores saberem o que acontece “da porteira para dentro”; é fundamental manter-se informado sobre o que acontece “da porteira para fora”. “A demanda e oferta de leite no País e no mundo, o nível de importação e exportação, políticas do governo para o setor… São vários fatores, distantes do dia a dia do produtor, mas que interferem no seu negócio, principalmente no preço do leite. Estar bem informado é condição imperiosa dos dias modernos. Ter acesso e saber utilizar as informações disponíveis é imprescindível. Não se pode tomar decisão sem informação. Ela hoje existe e está disseminada e o produtor deve aprender a acessá-la e selecionar o que é relevante para seu negócio. Informações de conjuntura e a dinâmica da cadeia produtiva do leite devem ser do interesse do produtor profissional.”

“Para administrar uma propriedade leiteira de forma profissional é preciso, em termos de gestão, implementar o ciclo PDCA (Planejamento, Desenvolvimento, Controle e Avaliação). É o ciclo completo da gestão que começa no planejamento e vai até a avaliação e retroalimentação do planejamento do próximo ciclo.”

Com uma experiência de 18 anos de atuação com produtores de leite, o engenheiro agrônomo Lúcio Antonio Oliveira Cunha reforça a importância de se traçarem metas num plano de gestão. “Um bom projeto começa pela meta que se quer alcançar, e que resulta da relação entre o potencial e as limitações da propriedade. A partir daí traçam-se os índices, custos e resultados a serem alcançados. Uma vez apresentado o projeto final, técnico e produtor planejam a obtenção das metas de curto, médio e longo prazos”, afirma Cunha, que é consultor técnico do programa Balde Cheio, da Embrapa Pecuária Sudeste, e coordena o projeto no Espírito Santo. Cerca de 4.000 propriedades em todo o País fazem parte do projeto de transferência de tecnologia que promove o desenvolvimento da pecuária leiteira em pequenas propriedades. Em 2013 o programa Balde Cheio completou 15 anos.

“Quem planeja às vezes erra, quem não planeja às vezes acerta”, costuma dizer Cunha aos produtores de leite com que trabalha. Segundo ele, é a partir do fim de janeiro de cada ano, quando o produtor normalmente fecha o mês de dezembro, que a planilha de custos de todo o ano anterior é completada. Assim, explica o consultor, têm início todas as análises econômicas e administrativas da atividade, com base nos resultados colhidos. “Primeiro analisamos, técnico e produtor, cada item da relação dos gastos operacionais e os confrontamos com sua meta ideal de participação no gasto total. Aí sabemos onde estamos eficientes (dentro ou abaixo das metas) ou ineficientes (acima das metas), definindo estratégias para nos mantermos eficientes onde já somos e alcançarmos a eficiência onde precisamos. Analisamos cada índice agronômico, zootécnico e econômico, buscando entender o porquê de cada índice e comparando com as metas traçadas no início do ano anterior”, explica o agrônomo.

Segundo Cunha, itens como crescimento ou estabilização de pastagens, manutenção ou aquisição de máquinas e melhoria em instalações normalmente estão ligados às metas de investimentos previamente definidas. Já o item descarte ou compra de animais também é influenciado pela distribuição dos partos previstos para ocorrerem ao longo do ano. “Vai depender se os partos estão dentro ou abaixo do esperado. Analisamos ainda o desempenho produtivo e reprodutivo de cada vaca, os índices de eficiência zootécnicos obtidos, como intervalo entre partos. Essa ‘eficiência animal’ pode ser uma importante fonte receita que, eventualmente, pode patrocinar outros gastos estratégicos.”

Na sua vivência no campo, Cunha destaca que é função do produtor fazer as anotações das fichas de campo, com as ocorrências zootécnicas (partos, coberturas, peso leiteiro, nascimentos, pesagem de bezerras e novilhas); econômicas (gastos e receitas), e climáticas (regime de chuvas e temperaturas máximas e mínimas). “Assim podemos preencher as fichas individuais e de acompanhamento do rebanho e as planilhas de custos.”

Toda essa teoria disseminada por pesquisadores e técnicos pode ser vista, na prática, na Fazenda Olhos D’Água, em Liberdade, Minas Gerais. Produtor de leite há 13 anos, João Paulo Varella conta que, antes de tomar qualquer decisão relativa a investimentos na fazenda, analisa de forma minuciosa, primeiro, o potencial de pastagens diante do rebanho atual. “O ponto básico para o planejamento e gestão do negócio é o conhecimento da propriedade”, resume o produtor. “Conhecer a propriedade, saber de tudo o que acontece, é essencial para tomar qualquer decisão, corrigir os erros e melhorar a gestão.”

A Olhos D’Água possui 15 hectares de pastagens divididos em 125 piquetes, compondo 8 módulos, além de 16 hectares de milho para silagem e 0,5 hectare de cana-de-açúcar. O rebanho total é de 164 animais – 82 vacas em lactação produzem, em média, 45.000 litros de leite por mês.
Para se organizar e sistematizar todas as informações da fazenda, Varella utiliza um programa de gerenciamento de rebanho específico para a reprodução e produção de leite. “São controlados ou apontados os eventos reprodutivos e o controle mensal de produção de leite, o que me permite fazer seleção e tomadas de decisão em relação ao arraçoamento (número diário de alimentação) das vacas.” Informações do acompanhamento veterinário na área de reprodução e sanidade também são armazenadas no banco de dados da fazenda.

“Quem tem alimento pode aumentar o rebanho; quem não tem alimento deve diminuir o rebanho. Também devemos analisar se as instalações, máquinas e equipamentos permitem o aumento de produção. Devemos trabalhar para otimizar a produção de alimentos e animais, usando nossas instalações, máquinas e equipamentos. O que mais vejo na prática é excesso de instalações, máquinas e equipamentos e escassez de alimento e animais pouco produtivos”, afirma Varella, que é engenheiro agrônomo e atua como consultor em pecuária de leite e corte.

Os itens mais representativos nos custos de produção de leite são, segundo o produtor, alimentos concentrados (farelos), alimentos volumosos (pastagens e silagens) e mão de obra. “Na compra de alimentos concentrados e insumos agrícolas, ao longo do tempo, desenvolvi parceiros fornecedores que me garantem bons produtos e preços justos com o mercado. Procuro fazer compras estratégicas em épocas de preço interessante.” Para isso, diz ele, o acompanhamento constante do mercado de leite e insumos é fundamental. “A conjuntura é determinante. No meu caso, em épocas de crise me programo para reduzir investimentos em custos fixos, como instalações, máquinas e equipamentos, e aumentar investimentos em fatores produtivos, como alimentos e animais. Sem esquecer de outro item de fundamental importância, escasso e caro: a mão de obra. Temos de investir em pessoas. Pode não ser diretamente em salários, mas em aprendizado e capacitação.

“O que transforma os chamados volumosos em leite são os animais. O bom animal deve exigir nosso maior investimento. E isso só é possível quando temos bom alimento para oferecer a estes animais.” Varella conta que controla os custos de produção por meio de uma planilha da Embrapa Pecuária Sudeste que é usada no programa Balde Cheio.

Valores de referência

Para tomar uma decisão de descarte ou compra de animais, além de considerar indicadores como produtividade por animal, é importante avaliar a composição do rebanho nas diferentes categorias. Alguns valores de referência para os indicadores:

• Porcentual de vacas em lactação: 80%
• Duração da lactação: 300 dias
• Intervalo entre partos: 13 meses
• Taxa de natalidade: 93%
• Vida útil da vaca: 8 anos
• Vida útil do touro: 5 anos
• Número de partos por vaca: 7
• Taxa de reposição: 13%/ano

Projeto estimula produtor a colocar as contas todas no papel

Colocar tudo na ponta do lápis ainda não é um hábito comum aos produtores rurais, segundo o analista de mercado do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) Wagner Yanaguizawa. Desde 2008, o Cepea, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), estimula a profissionalização da gestão de fazendas leiteiras por meio do levantamento e divulgação de custos de produção de propriedades representativas das regiões pesquisadas. O projeto, chamado de Campo Futuro, já existia para outras cadeias produtivas e foi ampliado para o setor de leite. Até agora, o projeto já passou por 17 Estados, onde “mapeou” cerca de cem regiões leiteiras.

“Em cada encontro do projeto, reunimos produtores, explicamos a diferença entre custos operacionais efetivos, custos operacionais totais e custos totais, apresentamos a eles as planilhas e fazemos em conjunto o preenchimento dos dados, levando em conta aquilo que é consenso entre os participantes de cada encontro. A ideia é conscientizá-los da importância de se ter controle dos custos de todas as etapas da atividade e, com isso, ajudá-los no planejamento”, diz Yanaguizawa. O Cepea recebe a atende a demandas de produtores interessados em receber o Campo Futuro na sua região.

Custo de produção do leite

A análise do custo de produção de leite auxilia na organização e controle do sistema de produção, permite a análise da rentabilidade e indica custos que podem ser reduzidos. O custo de produção de leite pode ser dividido em variáveis e fixos:

• Custos variáveis: dependem da quantidade de leite produzida e, se o processo de produção for interrompido, deixam de existir. Exemplos: mão de obra, alimentação do rebanho, reprodução, medicamentos.

• Custos fixos: são independentes da quantidade de leite produzida. Exemplos: depreciação de máquinas/benfeitorias, animais, implementos, seguro, impostos.

 

Fonte: Mundo do Leite

Tecnologia retém produtor no campo

Acesso a software aplicado em mais de 200 propriedades influenciou opção pelo campo.

Após identificar a gestão como uma das principais necessidades da atividade leiteira, o estudante Dionatan Hamester, 23 anos, desenvolveu uma ferramenta para ajudar o produtor a tomar decisões. Foi assim que nasceu, há cinco anos, a Control Milk, uma startup com sede em Teutônia que fornece relatórios zootécnicos, financeiros e gráficos da criação e ordenha. O sistema usa dados históricos, avalia padrões de produção, detecta problemas a serem resolvidos preventivamente e apontando datas corretas para reprodução, alertando o produtor para não esquecer do período recomendado.

Graduando em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pela Univates e sem ligação com o campo, Hamester uniu-se ao sócio Vilson Mayer, formado em Ciências Agrárias, para criar o programa, que hoje está em mais de 200 propriedades dos três estados da região Sul e na Bahia. A ferramenta também tem despertado o interesse de cooperativas que podem fazer a tecnologia chegar à propriedade rural.

Usuário do software, o produtor de leite, Diego Dickel, 22 anos, de Teutônia, afirma que a possibilidade de acesso à tecnologia na propriedade pesou na opção que fez por permanecer no campo. “Consigo ver exatamente o período de lactação e verificar bem a previsão de parto, por exemplo”, explica.

Família Dickel, de Teutônia, utiliza aplicativo para controlar custos e sanidade.

Família Dickel, de Teutônia, utiliza aplicativo para controlar custos e sanidade.

 

Fonte: Correio do Povo Rural – Domigo, 6 de Dezembro de 2015. Edição: 1690


A Control Milk – Tecnologia e Informação, parabeniza o trabalho realizado pela família Dickel.

Produtor de leite cria alternativa para reduzir gastos

Canal Rural

Com o aumento do preço do leite e dos custos de produção, produtor faz uma substituição na dieta das vacas e consegue manter a produção mesmo reduzindo os gastos

Para assistir ao vídeo: Clique Aqui

Fonte: Canal Rural


 

Absolutamente todos os produtores de leite do Brasil enfrentam o mesmo desafio, aumentar o lucro e diminuir os custos. Como irão conseguir isso? Sendo eficientes em todo o sistema produtivo.

A Control Milk lhe auxilia a ser eficiente na produção de leite. Quer saber como, acesse: www.controlmilk.com.br

Control Milk – Reprodução

Pecuaristas de leite investem em planejamento e aumentam os lucros

O Brasil tem mais de um milhão de produtores de leite. Todos enfrentam um mesmo desafio: aumentar o lucro, diminuindo os custos. O sucesso do produtor depende cada vez mais de uma boa gestão e de tecnologia.

Josimar Fernandes, de 28 anos, chegou a trabalhar na cidade numa fábrica de tecidos, mas voltou para roça e disposto a mudar a produção de leite da família. O sítio de 23 hectares em Juiz de Fora, Zona da Mata de Minas Gerais.

“A produção era de 15 litros por dia, de 15 a 20 litros por dia, tirava leite uma vez só e nada mais do que isso”, fala Josimar.

O salto na produção veio quando ele foi buscar assistência técnica. Há quatro anos, Josimar começou a trabalhar com inseminação artificial para melhorar a genética dos animais  e investiu no pastejo rotacionado. Quando chove bem, não falta o capim verdinho. Para época de seca, a ração no cocho complementa a alimentação do rebanho de 23 vacas. Dezenove em lactação.

A mudança de manejo que o Josimar se reflete na ordenha. Hoje ele consegue 380 litros de leite por dia, 20 litros por animal. Bem diferente dos quatro ou cinco litros que as vacas produziam quando ele assumiu o sítio. A ordenha, agora mecanizada e duas vezes ao dia, foi outra melhoria que o Josimar conseguiu implantar. “Tecnologia sem medo, sem dúvida, foi o mais ajudou”, afirma Josimar.

O agrônomo Frederico Carvalho orienta e controla todos os custos da produção. Está tudo no papel. Os resultados, comparando o que foi investido com o que o Josimar tirou de lucro, são surpreendentes. “O Josimar hoje tem um retorno de 47% se considerarmos apenas os custos de produção do leite”.

Desempenhos como o do Josimar chamam atenção da Embrapa Gado de Leite. Os técnicos acompanham os custos de produção de cooperados que atendem laticínios de Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul e pelos resultados desse trabalho, produzir leite no último ano rendeu bem mais do que muitas aplicações financeiras.

Em 2014, a Bolsa de Valores de São Paulo fechou com resultado negativo de quase 3%. Quem aplicou em poupança teve rendimento de 7% no acumulado do ano passado. Já o dólar valorizou pouco mais de 13%, e o ouro 14%. Já entre os produtores de leite pesquisados pela Embrapa, teve gente que conseguiu quase 24% de retorno sobre o capital investido.

Para o diretor da Embrapa Gado de Leite, Paulo do Carmo, o resultado dessa pesquisa não pode servir de base para toda a cadeia produtiva do leite, mas pode ensinar muita coisa para quem ainda patina no negócio.

“Quando a gente afirma que tem produtor que está ganhando o dobro de dólar e ouro, não significa dizer que todos os produtores do Brasil ganharam muito dinheiro, ao contrário, boa parte dos produtores que perdem dinheiro está relacionado à falta de gestão”, fala.

O segredo para se conseguir um bom resultado, segundo o  diretor da Embrapa é um só: planejamento.

“É ver o leite como uma atividade que tem que ser administrada e intensivamente administrada. Quem leva em consideração as tecnologias e leva em consideração, sem dúvida alguma, as variáveis econômicas, o que entra e o que sai, acaba ganhando dinheiro no leite”, avisa Paulo.

Enxergar a produção como um negócio também foi o que fez do casal Vivian e Wagner Canabrava. Eles têm quatro funcionários para cuidar de um rebanho de 212 vacas, entre recrias e de leite, em um sítio em Juiz de Fora, Minas Gerais. As 90 que estão em lactação produzem dois mil litros de leite por dia. Em 2012, cada vaca produzia 15 litros/dia. Hoje, esse número chega a 22 litros.

“Investimos em genética, alimentação de qualidade, mão de obra mais qualificada”, conta Viviane.

No último mês, eles tiraram R$ 1,10 pelo litro do leite, dez centavos a menos do que na mesma época do ano passado.

A comida para as vacas representa 50% do custo de produção da fazenda. Para continuar mantendo os lucros, os donos estão investindo em tecnologia e já conseguiram reduzir custos.

Uma máquina foi comprada em 2014 através de financiamento que vai ser pago em sete anos. Ela faz a mistura de todos os ingredientes da silagem e despeja no cocho na medida certa para cada lote do rebanho. A partir deste investimento, a produção de leite cresceu 15%, além da redução com a mão de obra.

Genética, manejo, contas na ponta do lápis. É um conjunto de práticas. Com tudo sob controle, a hora da ordenha é só alegria para Vivian.

“Pra gente que é produtor, aquilo é uma realização, aquele coletorzinho cheio de leite, você acredita que é um frutinho que você está colhendo”, conta Viviane.

O Cepea (Centro de Estudos de Economia Aplicada da  Esalq e USP) divulgou  novos dados do leite essa semana. A média-Brasil do litro pago ao produtor em abril foi de R$ 0,89. É o segundo mês seguido de alta e essa tendência de alta deve continuar por causa da entressafra.

Fonte: G1 – Cristina Vieira